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Legado de artista segue atingindo milhares de fãs / DivulgaçãoLegado de artista segue atingindo milhares de fãs / Divulgação
Entretenimento 14/04/2021

‘Chorão: Marginal Alado’ é jornada de humanização de ídolo

Por : Luccas Balacci - Metro

Dentro de uma van cercada por fãs, Chorão deixa uma adolescente em prantos se aproximar da janela. Olhando em seu olho, ele diz: “Tudo o que você busca em mim está dentro de você. Eu sou só um reflexo das coisas que você acredita.”

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O momento, que valeu muito mais que uma foto ou autógrafo, está presente no documentário “Chorão: Marginal Alado”, recém-lançado para compra digital. E representa apenas uma das diversas facetas do músico, morto em março de 2013 após uma overdose de cocaína.

A missão de traduzir o vocalista e compositor do Charlie Brown Jr. ficou nas mãos do diretor Felipe Novaes que, com sua equipe, buscou depoimentos de pessoas próximas e explorou centenas de horas de imagens de arquivo. “Ele era uma figura muito rica em conflitos, assim como nós, e catalisava toda essa discussão”, conta ao Metro.

A complexidade de Chorão navega por diversos temas abordados no documentário, desde a relação do músico com o skate e a cidade de Santos, no litoral paulista, passando pelo início e sucesso na carreira até seu derradeiro desgaste emocional. E é neste fio condutor que o longa trata as relações do artista com fãs, companheiros de banda, funcionários, músicos, amigos e familiares.

Entre as entrevistas mais fortes está o relato de Champignon, baixista do Charlie Brown Jr., que manteve uma relação de altos e baixos com o vocalista. Ele cometeu suicídio seis meses após a overdose de Chorão, e uma semana depois da gravação, em setembro de 2013. “(A morte de Champignon) só reforça como era um contexto muito contraditório. Ao mesmo tempo que eles encontravam prazer, eles sentiam extrema dor”, diz Novaes.

O legado deixado por Chorão, considerado o último grande astro do rock brasileiro, segue atingindo milhares de pessoas. Tanto que a produção liderou em audiência no fim de semana de estreia, à frente de lançamentos internacionais e até de indicados ao Oscar.

“O documentário conversa muito com o fã porque a gente foca nesse canal de identificação do Chorão com as pessoas. Aparecem comentários de quem acredita que faltou algo, mas não senti uma pressão porque entendo o filme como um olhar possível entre tantos.”

Para o diretor, o longa consegue desconstruir um ser humano intenso, que foi ora endeusado, ora demonizado. “Temos uma mania de olhar para os artistas como máquinas, desumanizamos os ídolos. Entre tantas coisas, percebi que o Chorão era uma pessoa, com seus problemas, inseguranças, gatilhos e traumas. Nada disso foge do que vivemos nas nossas vidas.”