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Entretenimento 07/04/2021

Cultura perdeu 1,2 milhão de trabalhadores na crise

Por : Vanessa Selicani - Metro

Com teatros, cinemas e museus fechados por conta da pandemia de covid-19, trabalhadores da cultura e demais setores criativos vivem a pior crise dos últimos anos. O Painel de Dados do Observatório Itaú Cultural indica que o número de empregados pelo segmento caiu de 5 milhões em 2019 para 3,8 milhões em 2020, o menor contingente desde 2012, início da série histórica da pesquisa.

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É uma redução expressiva de 1,2 milhão de trabalhadores. Um em cada quatro funcionários precisou ser desligado. O dado engloba também empregados do setor que não exercem atividades criativas e exclui trabalhadores criativos incorporados por outros setores da economia.

A pesquisa do Itaú Cultural tem como base recortes realizados na Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) do IBGE.

O setor criativo representa cerca de 3% do PIB (Produto Interno Bruto), de acordo com levantamento da Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro). Em São Paulo, onde se concentra mais da metade do segmento, a participação salta para 3,9%.

Desde março de 2020, os espaços culturais funcionaram por apenas cerca de cinco meses, e com severas restrições de acesso para o público. A pesquisa indica que os trabalhadores informais foram os mais afetados por não contarem com políticas de proteção ao emprego.

O conceito de economia criativa abrange atividades que não podem ser reproduzidas por máquinas e que utilizam criatividade. Entram na lista desde atores a profissionais de apoio, artesãos, arquitetos e publicitários. No último trimestre do ano, a redução de trabalhadores ligados a cinema, música, fotografia, rádio e TV foi de 18%. Já tecnologia da informação e arquitetura tiveram alta nos postos de 24% e 10%, respectivamente.

O gerente do Observatório Itaú Cultural, Jader Rosa, acredita que o setor deve se recuperar ainda neste ano. “Apesar de termos medidas restritivas em diferentes fases nos municípios, neste ano, diferentemente de 2020, a vacina se tornou realidade. E o conjunto destas variáveis, população vacinada, melhoria nas fases emergencial e protocolos de segurança, irão permitir que estes eventos voltem a acontecer com mais intensidade no 4º trimestre.”

Desemprego na cultura

  • Empregados dos setores criativos
    2012: 4,8 milhões
    2013: 4,7 milhões
    2014: 5,3 milhões
    2015: 4,6 milhões
    2016: 4,4 milhões
    2017: 4,7 milhões
    2018: 4,7 milhões
    2019: 5 milhões
    2020: 3,8 milhões
  • Distribuição por região
    Norte: 4,4%
    Nordeste: 18%
    Centro-Oeste: 7,2%
    Sudeste: 51,5%
    Sul: 18,7%

    Fonte: Itaú Cultural