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Entretenimento 06/04/2021

Demi Lovato transborda emoção em primeiro álbum após overdose

Demi Lovato é um livro aberto, mas com muitos capítulos escritos sob supervisão – seja de sua família, de seu antigo empresário ou de seus próprios demônios. Estes a cercaram de vez em 24 de julho de 2018, quando escapou por pouco da morte após uma overdose de fentanil e oxicodona.

Quase três anos e um longo processo de recuperação depois, a artista assume o controle em “Dancing With The Devil… The Art of Starting Over”, novo álbum lançado no início do mês.

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Se o recomeço é uma arte para Demi, é justo que ela assuma a narrativa, até então dominada pela imprensa e portais de fofoca. E a apresentação chega sem filtros, com letras honestas e vulneráveis, mas escritas com a confiança de quem tomou as rédeas da própria vida.

Começando por um prelúdio de três faixas, que abre com “Anyone”. Aqui, um piano acompanha versos que clamam por ajuda para lidar com o vício.

Depois, “Dancing With The Devil” detalha a mentalidade que levou a cantora até a overdose, com “pequenas mentiras” a si mesma e a evolução da taça de vinho ao crack e heroína. Para fechar o denso ato, “ICU (Madison’s Lullaby)” retrata o momento em que Demi acorda temporariamente cega no hospital e não reconhece sua irmã.

Trabalhando traumas

A forte sequência é apenas o começo de uma jornada que busca revisitar outros traumas da vida de Demi Lovato.

São faixas sobre o término de seu noivado com o ator Max Ehrich, no ano passado (“15 Minutes”; “The Art of Starting Over”), as dificuldades após desenvolver bulimia, fruto de um estupro (“The Way You Don’t Look at Me”, “Melon Cake”), e a morte do pai, também dependende químico (“Butterfly”).

Por outro lado, sobram momentos de esperança. “California Sober” e “Good Place”, por exemplo, colocam a artista em uma posição de aceitação, olhando para frente. Já a divertida “My Girlfriends Are My Boyfriends”, com rap de Saweetie, reconhece a importância das amigas como rede de apoio e um laço inquebrável.

Mas em um álbum tão pessoal, canções com vocais compartilhados perdem brilho, caindo em um lugar comum e mais superficial – é o caso de “Met Him Last Night”, com Ariana Grande, e “Easy”, com Noah Cyrus.

Para a experiência ficar completa, porém, a série documental “Dancing With The Devil”, disponível no YouTube em quatro episódios, é obrigatória. Em entrevistas, a cantora, familiares, equipe e amigos descrevem em detalhes a trajetória da estrela, desde o contrato com a Disney até os episódios que levaram a overdose e sua recuperação – o quarto e último episódio estreia nesta terça-feira (6), às 16h.