Whoopi Goldberg fala sobre longa espera para protagonizar 'The Stand'

Por María Estévez - Metro Internacional

Whoopi Goldberg esperou 26 anos para interpretar Mãe Abagail. Ela quis o papel desde que leu o romance “The Stand”, de Stephen King, em 1994, quando houve a primeira tentativa de adaptar o romance, intitulado aqui no Brasil como “A Dança da Morte”. Em 2020, finalmente, seu sonho se tornou realidade.

A atriz, que tem equilibrado papéis sem grande repercussão e sua persona apresentadora no talk show “The View”, abraçou a chance e é um dos destaques da série, que exibiu seu último episódio recentemente e está disponível no Starzplay (que pode ser adquirido dentro do pacote do Amazon Prime Video).

Mãe Abagail é uma profetisa de 108 anos que se torna a força que mantém a união entre os moradores de Boulder Free Zone, uma comunidade pacífica que reúne sobreviventes do apocalipse. O rival direto de Goldberg é Randall Flagg, interpretado por Alexander Skarsgård. No elenco, estão ainda Amber Heard, James Marsden e Greg Kinnear.

Você quis interpretar essa personagem por mais de duas décadas…
Estou lutando por essa personagem por muitos anos e sempre soube como ia interpretá-la. Minha intenção principal não era fazer dela uma bruxa de magia negra típica, como minha personagem em “Ghost – Do Outro Lado da Vida” [que lhe  rendeu o Oscar de atriz coadjuvante em 1991], porque isso a levaria por um caminho diferente. Sou fã de Stephen King e ele desenvolveu a personagem de maneira muito clara.

Você precisou modificar o visual para interpretar Mãe Abagail, como tingir o cabelo de branco?
Sim. Já que estava voltando a atuar, eu tinha que fazer isso com a energia e paixão que ela exige. Eu queria atuar em um filme de terror desde o início da minha carreira. Esse é o gênero que eu mais amo, não há nada que eu goste mais do que um bom susto. Quando a chance de estar na série apareceu, eu agarrei com unhas e dentes. Eu já tinha feito testes em 1994, quando eles tentaram transformar o livro em um seriado, mas não deu certo.

No romance de King, Mãe Abagail tem 108 anos e lidera um grupo de sobreviventes. Qual é o papel dela?
A missão dela não é apenas sobreviver e reconstruir a civilização. Ela tem de se opor a Randall Flagg, que incorpora o mal, e seus seguidores, para se certificar que o bem triunfe nesse novo mundo.

O que você admira na sua personagem?
Eu tenho lido entrevistas com Stephen em que ele diz que sempre torceu para que o papel caísse nas minhas mãos porque eu represento a luz dessa personagem. Como ser humano, eu tenho meus defeitos, mas sou a mesma pessoa que era há 30 ou 40 anos. Eu me orgulho de ser verdadeira comigo mesma e foi por isso que Stephen me viu na personagem. Eu não finjo ser alguém que não sou. Mãe Abigail representa o que a luz deveria ser, uma pessoa que tenta incentivar outras a fazer coisas que não acreditam ou não têm certeza se devem fazer.

Por que você acha que todas as histórias escritas por Stephen King fazem tanto sucesso?
Como amante do gênero do horror, eu posso dizer que ele desafia o leitor a ver até que ponto ele pode ir, até onde ele pode assustar esse leitor. Suas histórias são emocionantes, mas controláveis, porque você sempre pode deixar o livro de lado ou desligar a TV se você estiver se sentindo desconfortável. Eu não gosto de filmes de terror baseados em histórias verdadeiras, eu prefiro a imaginação de Stephen.

Você acha que encontrou seu lugar em Hollywood depois de “Ghost”?
Não. E muitas pessoas que ganharam um Oscar podem dizer a mesma coisa. Você acha que você vai ter muito prestígio, você acha que você vai receber inúmeras ofertas de trabalho e, na verdade, você se vê em diversas encruzilhadas e não sabe para onde tem que ir. Eu tive muita sorte por ter feito “Mudança de Hábito” (1992) depois de “Ghost”. Isso me levou a “Star Trek”. Eu me considero uma atriz à frente de seu tempo porque eu sempre fiquei curiosa com ficção científica e horror. Isso foi uma vantagem para mim, assim como ter trabalhado com Steven Spielberg (em “A Cor Púrpura”, papel em que foi indicada a melhor atriz em 1986).

Você acha que a indústria cinematográfica mudou na última década?
Sim. Muito. Os atores agora têm permissão de envelhecer na tela, embora isso ainda seja surpreendente para muitos. Na Europa, é mais fácil ver personagens com rugas, enquanto que em Hollywood isso é algo muito difícil. Quem dera os atores aceitassem a ideia de envelhecer.

Quando você acha que “aconteceu” em sua profissão?
Foi no dia em que um jovem me parou na rua em Nova York para pedir autógrafo. Eu não acreditava. Desde então, muitos me cumprimentam quando me veem, mas não posso mais andar na rua. As pessoas se esquecem de que você é um ser humano, eles aparecem na sua frente e dizem as coisas mais estranhas. Muitos que vêm falar comigo se esquecem que eu sou humana e também tenho uma família com a qual quero me divertir sem ser interrompida.

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