logo
/ Divulgação / Divulgação
Entretenimento 29/10/2020

Tenet: Christopher Nolan entrega trama cativante, mas cai na ‘mesmice’

Tratando de viagens temporais, é curioso que o curso dos fatos – a eclosão de uma pandemia – tenha empurrado por três vezes a estreia de “Tenet”, grande aposta de Hollywood para a volta dos cinemas depois da quarentena. A data derradeira é esta quinta-feira (29) aqui no Brasil. Não fosse isso, seu lançamento, com previsão incial em julho, teria feito mais sentido no mar de filmes de ação produzidos anualmente.

Dá para entender o “hype”. Exatamente dez anos depois do intrigante “A Origem”, Christopher Nolan só aumentou seu currículo de boas produções, como “Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge” (2012) e “Interestelar” (2014). Era de se esperar o mesmo de “Tenet”, mas o longa não chega ao mesmo nível de suas obras mais inteligentes, que lançam mão de ficção científica inquietante, elevando o formato hollywoodiano.

QUER RECEBER A EDIÇÃO DIGITAL DO METRO JORNAL TODAS AS MANHÃS POR E-MAIL? É DE GRAÇA! BASTA SE INSCREVER AQUI.

A trama, no entanto, consegue te prender. John David Washington, do premiado “Infiltrado na Klan” (2018), que garantiu a Spike Lee seu primeiro Oscar, é o protagonista, cujo nome não sabemos em nenhum momento, mas a ele se referem como… Protagonista. Recrutado por uma organização secreta chamada  Tenet, seu objetivo é evitar uma Terceira Guerra Mundial, em que a possibilidade de viagem no tempo é explorada como arma bélica.

São tantos os filmes que esmiúçam o tema, incluindo o próprio Nolan com maestria, que, começando por aí, a história perde um pouco do seu impacto. Não que voltar a um assunto seja um problema, mas fazer isso de forma previsível deixa a desejar. Afinal, o mundo realmente precisa ser salvo de mais um vilão russo no cinema?

Os detalhes espaço-temporais de como tudo se desenrola – estilo quebra-cabeça, típico do diretor, que também escreveu o roteiro – é que surpreendem em alguns momentos. Robert Pattinson entra como Neil, ajudante do Protagonista nessa missão, que também envolve salvar uma mulher infeliz, Kat (Elizabeth Debicki), da morte e de seu relacionamento abusivo com o marido, o oligarca russo Andrei Sator (Kenneth Branagh).

Tiros reversos e cenas de ação com personagens e carros em alta velocidade andando para trás mostram algo de diferente nas representações de viagens temporais. Com ajuda do físico teórico Kip Thorne, também consultado  em “Interestelar”, Nolan dá sua interpretação de como seria se fosse possível entrar numa catraca, como é chamado o dispositivo no filme, e sair do outro outro lado no passado ou no futuro.

As prioridades mudaram e o mundo já não é mais o mesmo desde que o longa começou a ser pensado e produzido. Ninguém poderia prever uma pandemia. Talvez se essas catracas realmente existissem hoje, teríamos voltado no tempo e impedido que a covid-19 se espalhasse, matando milhões de pessoas. Além das vidas salvas, é claro, “Tenet” chegaria com um pouco mais de pertinência.

*Supervisão: Angela Corrêa