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Filha de Borat, vivida pela atriz Maria Bakalova, entra na nova jornada pelos EUA / Divulgação
Entretenimento 26/10/2020

Borat está de volta em novo filme para discutir ataques à democracia

‘Very nice’. O jornalista cazaque está de volta na sequência do falso documentário lançado em 2006. Feito sob medida para discutir os ataques recentes à democracia, o filme foi rodado no início da pandemia nos EUA

“Fita de Cinema Seguinte de Borat”, ou, para os íntimos, “Borat 2”, não tem o mesmo impacto do primeiro falso documentário, lançado há 14 anos. No mundo de 2020, as referências explicitamente negacionistas, racistas e misóginas não parecem ficção.

Lançamento na plataforma Amazon Prime Video, o retorno do jornalista cazaque foi motivado pela necessidade de denunciar a ameaça à democracia, como disse seu intérprete e criador, Sacha Baron Cohen, em entrevista recente ao The New York Times. Não à toa, a estreia foi às portas da eleição americana.

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As filmagens começaram  pouco antes de a quarentena do novo coronavírus ter sido declarada dos Estados Unidos. Durante invasão da equipe de filmagens a um congresso conservador, o país contava apenas 15 casos, como afirmou em discurso na ocasião o vice-presidente Mike Pence.

O segundo no comando do governo Trump é o primeiro alvo de Borat, que caiu em desgraça no Cazaquistão após sua primeira incursão ianque e precisa se redimir. Decide entregar sua filha adolescente, Tutar (a atriz búlgara Maria Bakalova) como “oferenda” a algum republicano.

Como no primeiro filme, as mulheres têm zero valor no universo de Borat. A menina vive em uma jaula, passa por consulta com cirurgião plástico e pega dicas com a “sugar baby” Macy Chanel para conquistar um homem mais velho e endinheirado. Esse arco também surge como chance de redenção ao personagem.

Para navegar incógnito por entre esses personagens  reais após o êxito da comédia de 2006, Cohen teve de abandonar o terno cinza e usar enchimento, perucas e próteses no nariz em algumas cenas.

Disfarçado de Trump, a aproximação a Pence falha e ele resolve levar a filha a Rudy Giuliani, advogado do presidente americano.

Essa é a cena mais comprometedora. Sob pretexto de uma entrevista, a atriz marca com o político em um hotel. Em determinado momento, ela o chama para um drink no quarto e Rudy é visto deitado na cama, mexendo na calça. Sua justificativa para isso foi ter se atrapalhado para tirar o microfone que a equipe havia prendido em sua roupa.

Como diz o ditado, o processo vem. E não só por parte dos poderosos. A família de Judith Dim Evans, sobrevivente do Holocausto que aparece em uma cena encantadora com Cohen, entrou na Justiça contra os produtores. A mulher morreu em junho, aos 87 anos.