A revolução será das minas do Pussy Riot (também em São Paulo)

Coletivo feminista russo lança livro e filme com debate e faz show no CCSP

Por Eduardo Ribeiro - Metro World News São Paulo

O coletivo feminista russo de arte performática Pussy Riot, que  acabou virando também uma banda punk, ganhou as manchetes internacionais em 2012, depois de realizar uma “oração punk” anti-Vladimir Putin nas ruas de Moscou. Na ocasião, integrantes do grupo foram presas e encarceradas por protestar contra a reeleição do presidente russo e denunciar a corrupção na igreja ortodoxa do país.

“Riot Days”, livro que Maria Alyokhina, integrante do Pussy Riot, lança amanhã no Centro Cultural São Paulo (rua Vergueiro, 1.000, Paraíso; tel.: 3397-4002. 21h. Grátis), é um relato pessoal idealista e apaixonado sobre a prisão da autora e o seu julgamento em uma colônia penal nos Urais, após ter participado do protesto. Antes do lançamento, às 19h, será exibido o filme “Act and Punishment”, seguido de bate-papo com a escritora e outras integrantes do grupo.

Além de “Riot Days”, a n-1 edições lançará no evento dois cordéis escritos por mulheres que passaram pelo sistema prisional brasileiro.

Já na quinta-feira, às 20h, a banda Pussy Riot se apresentará junto com Linn da Quebrada na rua Vergueiro, em frente ao CCSP, dentro da programação do Festival Verão Sem Censura, promovido pela Prefeitura de São Paulo. Após o show, às 22h15, a DJ Kot, parte do coletivo, fará um set encerrando o festival.

Cheio de elementos visuais e textuais, “Act and Punishment” começa abordando a história do feminismo russo por meio de pinturas em uma galeria de arte, para inserir o grupo dentro de uma perspectiva de tradição de resistência política anarquista. A causa contra a qual se rebelam é embasada em vasto material de arquivo e entrevistas.

O Pussy Riot formou-se em agosto de 2011 como uma ramificação do coletivo performático e artístico de rua Voina, em resposta às políticas governamentais que discriminavam as mulheres. Uma fusão rotativa de cerca de 11 membros, as Pussy Riot começaram a se disfarçar com pseudônimos, roupas e balaclavas de cores vivas em suas apresentações, seguindo uma estratégia de apropriação dos espaços públicos. Elas atraíram a atenção internacional após sua apresentação em fevereiro de 2012 na Catedral de Cristo Salvador, em Moscou, onde ocuparam o altar por cerca de 30 segundos e imploraram, em uma oração falsa, para que a Virgem Maria tirasse Putin do poder, ato que custou a prisão de Maria Alyokhina, Yekaterina Samutsevich e Nadezhda Tolokonnikova. Em meados de agosto daquele ano, as três foram condenadas a cumprir dois anos em uma colônia penal. A combinação de censura e resposta severa ao caso pelas autoridades obrigou aliados russos como Garry Kasparov e figuras e organizações internacionais, de Kathleen Hanna (Bikini Kill) a Paul McCartney e à Anistia Internacional, a manifestarem apoio à soltura do coletivo.

“Riot Days”

Maria Alyokhina

n-1/hedra, 216 páginas
R$ 69,90

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