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Supla discute política e legalização da maconha em novo disco; leia entrevista

No repertório, que faz críticas aos problemas sociais mundiais, sobra até para o presidente eleito dos Estados Unidos, ironizado na música “Trump Trump Trump”. Aos 50 anos, Supla apresenta o novo disco neste sábado (21), na Audio, em um show com participações das bandas Bula, Selvagens à Procura de Lei, Dance of Days e Sioux 66.

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“Diga O Que Você Pensa” é um disco de rock, mas tem várias sonoridades…
Tem muitas sonoridades. Depois que parei de tocar com o meu irmão [João Suplicy, no duo Brothers of Brazil, em 2016], fiquei sozinho, sem guitarrista e tecladista. Peguei o violão e comecei a compor. Quando percebi que as letras com voz e violão estavam legais, entrei no estúdio e gravei. As músicas são bem contemporâneas e falam de tudo o que está acontecendo agora. “Anarquia Lifestyle”, por exemplo, está na trilha sonora de “Sad Vacation”, último documentário sobre o Sid Vicious [baixista do Sex Pistols, morto em 1979]. A canção “Parça da Erva” fala da legalização da maconha. É a única com levada mais bossa nova.

Você é a favor da legalização da maconha?
Sou totalmente a favor da legalização. Acho uma hipocrisia tudo isso aí, tem para uso de esclerose múltipla, ajuda como remédio… Não estou dizendo para ficar fumando maconha todo dia e virar um idiota. Tem que saber fazer uso das coisas na vida.

Quanto tempo você levou para finalizar esse álbum?
Fiz em um ano. “Parça da Erva” foi a primeira faixa a ficar pronta e lancei mesmo sem ter o álbum. Na verdade, fui lançando primeiro uns singles para a galera ir sentindo.

A primeira música, “Diga o que Você Pensa”, revela um Supla com mais liberdade de falar o que pensa?
É o que sinto as pessoas falando. Todo mundo quer se expressar, mas tem de ser educado e não precisa xingar a mãe do outro.

Como você avalia a situação política atual do país? Você se interessa pelo assunto?
Sim, lógico. A música “Anarquia Lifestyle” diz bastante: “Não deixa o tempo roubar os seus sonhos, seu espírito não tem dono. Os anos ensinam, ninguém me representa e não seguiremos normas que alguém inventa. Anarquia the lifestyle para você, anarquia vou viver”. Quando grito anarquia é um pouco disso. O Renan Calheiros [presidente do Senado] não sabe se vai ou fica. Sai fora! Larga o osso e deixa entrar quem não tem acusação. Algumas pessoas me falam que votaram no meu pai [o vereador Eduardo Suplicy] porque ele é honesto. Tem de votar nele porque ele trabalha. Ele não faz mais do que a obrigação em ser honesto.

Qual é o segredo para chegar tão garotão aos 50 anos?
É se manter atento. Acredito ser importante o artista escrever sobre o que acontece em volta. Moro no centro de São Paulo e vejo todo tipo de manifestação. Tentar fazer sexo seguro é bom para pele e se cuidar também. Não bebo, tem até a bebida Papito [marca de cerveja], mas não bebo, prefiro fumar um baseado.

O Brothers of Brazil está passando por um hiato?
Não sei. Lancei um livro ano passado [“Supla – Crônicas e Fotos do Charada Brasileiro”] e tentei ficar menos na onda das celebridade. Tem muita gente que me confunde com celebridade e não sabe que sou músico. Tocamos no show dos Rolling Stones, em março, e estou brigando para ter meu espaço novamente.

Serviço:
Na Audio (av. Francisco Matarazzo, 694, Água Branca, tel.: 2027-0777). Sábado (21), a partir das 21h. R$ 60.

Ouça a faixa «Diga o que Você Pensa»:

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