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Exposição traça panorama dos quadrinhos italianos desde 1950

Das escolas de quadrinhos ocidentais, a italiana é uma das mais prolíficas. É essa extensa e variada produção que ocupa o Centro Cultural São Paulo a partir desta terça-feira (5) com a exposição Comics Que Paixão! – Quadrinhos italianos de 1950 até hoje.

Cerca de 70 trabalhos serão expostos, revelando a pluralidade temática que atraiu os artistas italianos da área em especial após a Segunda Guerra Mundial.

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“São quadrinhos muito diferentes uns dos outros. Nos anos 1930, eles buscavam ser como os americanos, mas, pouco a pouco, se transformaram em uma escola que começou a exportar obras para todo o mundo”, diz o curador Maurizio Scudiero, responsável por montar a mostra sob encomenda para o Istituto Italiano di Cultura de São Paulo.

Cada década exposta no CCSP é marcada por um norte temático diferente.

Os faroestes ganham força nos anos 1950, sendo “Tex” seu principal ícone. O personagem criado por Giovanni Luigi Bonelli e Aurelio Gallepini chegou a influenciar a criação do western spaghetti, gênero cinematográfico criado por Sergio Leone (1929-1989), que rodava faroestes na Itália. “Ele declarou várias vezes ter crescido lendo ‘Tex’ e pensava ser possível levar a mesma ideia para o cinema, mas com outras coordenadas. Vale lembrar que os gibis eram fenômenos de massa!”

Na década seguinte, as histórias policiais e de clima noir ganham vez, enquanto o erotismo invade os anos 1970 e 1980, em especial na figura de “Valentina”, de Guido Crepax (na foto). “O erotismo estava em tudo naquela época, com mulheres nuas nas capas de revistas sérias. Fazia sentido que ele chegasse às HQs tanto em obras muito fortes, que chegavam a ser proibidas, como no traço muito refinado de Milo Manara e Guido Crepax”, afirma Scudiero.

Dos anos 1990 em diante, o número de artistas cresce e vários deles começam a desenhar heróis para as americanas Marvel e DC Comics.

“Essa é uma demonstração da maior qualidade que o trabalho assume, muito mais bonito agora que nos anos 1940, chegando a disputar prêmios literários”, conclui o curador.

Serviço:
No Centro Cultural São Paulo (r. Vergueiro, 1.000, Liberdade, tel.: 3397-4002). Abre nesta terça-feira (5). De ter. a sex., das 10h às 20h; sáb., dom. e feriado, das 10h às 18h. Grátis.

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