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Entretenimento 29/04/2015

Grupo mineiro de teatro Galpão reflete sobre seus 30 anos em livros, DVDs e CDs

“Diários de Montagem” - Cacá Brandão e Eduardo Moreira: R$ 130 (box), R$ 20 (cada)

“Diários de Montagem” – Cacá Brandão e Eduardo Moreira: R$ 130 (box), R$ 20 (cada)

No início dos anos 1980, quando um grupo de aspirantes a atores de Belo Horizonte se reuniu para participar de uma oficina do Teatro Livre de Munique, era difícil imaginar que, 32 anos depois, eles estariam à frente de uma dos mais longevas e representativas companhias da cena teatral brasileira.

Misturando forte apreço à pesquisa com uma instintiva vocação popular, o Grupo Galpão consolidou uma linguagem própria e, mais que isso, se tornou uma instituição cultural sólida em um país de iniciativas ainda precárias em prol da cultura.

Essa experiência – tanto artística, quanto social e de gestão – está registrada em um megacombo que será lançado nesta quinta-feira no Itaú Cultural com uma mesa-redonda intitulada “Memória e Compartilhamento dos Processos Internos de Criação e Gestão de um Grupo Teatral”. O material se revela uma rica base de informações para qualquer pessoa interessada em trabalhar e refletir sobre arte no Brasil, a partir de obras musicais (com a edição da trilha de “Os Gigantes da Montanha” e “Till, a Saga de um Herói Torto) e audiovisuais (como o registro de peças em DVDs).

Uma das caixas traz diários que narram os processos criativos de nove peças do grupo desde a clássica montagem de “Romeu e Julieta” (1992), dirigida por Gabriel Villela.

“Esses diários foram feitos no calor do momento. Escrevi sete deles, que foram muito importantes para me ajudar a refletir sobre aqueles caminhos e processos nos quais eu estava envolvido”, afirma Eduardo Moreira.

O 10º volume é um dossiê sobre o encontro da companhia com o ator e diretor Paulo José. “A gente vem de uma formação muito mais ligada ao corpo. Tivemos vários diretores, mas nosso encontro com o Paulo se deu muito pelo desejo de trabalhar com a palavra, o que foi algo muito importante para a construção da nossa linguagem”, completa o ator e diretor.

Uma segunda caixa, com dois livros, apresenta as experiências em ação e gestão cultural do Galpão Cine Horto, projeto de formação tocado pelo grupo há 15 anos.

“Há escassez em bibliografia sobre gestão, manutenção e produção. Esse é o grande nó de qualquer proposta de continuidade: como se estruturar para enfrentar crises que passamos a toda hora”, afirma Chico Pelúcio ao justificar o enfoque desses livros.

“A gente teve a preocupação de não fazer um livro chapa branca. Mergulhamos em nossos erros e  dúvidas e de fato revelamos nossos bastidores, a cozinha do nosso pensamento e de nossas ações, para que esse livro possa servir de referência para se pensar a vida no sentido de garantir a continuidade dela.”

Pelúcio revela também a emoção de voltar à história que ajudou a construir. “O Galpão tem essa qualidade de estar disposto a se reinventar todo o tempo. O que garantiu essa experiência digna de ser registrada foi persistência e continuidade de ação.”

Serviço: No Itaú Cultural (av. Paulista, 149, Paraíso, tel.: 2168-1776). Nesta quinta-feira, às 19h.

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DE TEMPO SOMOS

“DE TEMPO SOMOS – Um Sarau do Grupo Galpão” (Teaser) from Grupo Galpão on Vimeo.