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Entretenimento 24/04/2015

Vocalista do System of a Down fala sobre genocídio na Armênia, retratado em ‘1915’

Vocalista do System of a Down, que vem ao Brasil em setembro | Metro Jornal

Vocalista do System of a Down, que vem ao Brasil em setembro | Metro World News

Nesta sexta-feira armênios de todo o mundo lembram os cem anos do episódio conhecido como Genocídio Armênio, quando 1,5 milhão de pessoas morreu em massacres ou de fome pelas mãos do Império Otomano – hoje a Turquia. Entre os armênios que homenageiam os mortos está Serj Tankian, vocalista do System of a Down, que tem feito shows em lembrança à data. O Metro World News conversou com ele em Moscou na première de “1915”, thriller psicológico ambientado no período do genocídio, para o qual o artista, que virá com a banda em setembro para o Brasil, compôs a trilha sonora. O filme não tem previsão de estreia por aqui.

Por que você se envolveu com o filme ‘1915’? 
Um tempo atrás li o roteiro e fiquei realmente apaixonado. Ele tinha uma ótima escrita, era esperto e criativo e tratava de um tópico muito importante, que eu penso que deve aparecer nas telas.

Você acha que ‘1915’ e sua música podem fazer a diferença?
Sim, eu sei que o filme e as atividades do System of a Down fazem a diferença por causa da nossa base de fãs. Recebemos milhares de e-mails de fãs de todo o mundo contando que eles não tinham ideia do genocídio e agora querem escrever um livro sobre isso, ensinando seus amigos ou até mesmo seus professores… Nós tivemos pequenas evidências de que o trabalho que fizemos teve impacto. O importante para mim, agora, é dar um passo extra além do reconhecimento, que é conseguir justiça, e tentar deter o genocídio que acontece agora.

Que tipo de justiça?
Alguns tipos de reparações, possivelmente restituição. Veja, você não pode ir atrás de alguém por cem anos até ele ficar de saco cheio de você, se virar e dizer: “Ótimo, f***-se. Ok, eu fiz isso. Quem se importa?”. Isso não é o suficiente! Reconhecer [o genocídio] não é o suficiente. Em uma situação normal, quando alguém comete um crime, mata toda a sua família, derruba sua casa… Eles devem ser levados à Justiça.

Por que isso é tão importante para você?
Todos os meus quatro avós são sobreviventes do genocídio. Participei de um filme chamado “Screamers” [documentário de 2006 sobre genocídios na história moderna] que mostrou meu avô e um pouco de sua vida. Então, isso é uma coisa assustadoramente poderosa. Para nós isso é pessoal. Não é político. Essas são as histórias de nossas famílias.