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Entretenimento 13/04/2015

Morre, aos 74 anos, o escritor uruguaio Eduardo Galeano

eduardo-galeanoConhecido por criar tratados poéticos sobre a situação política e social da América Latina, Eduardo Galeano morreu na manhã desta segunda-feira, em Montevidéu, no Uruguai, aos 74 anos. Internado desde a semana passada para tratar de complicações de um câncer de pulmão, o escritor se orgulhava de ter ficado em paz com o mundo no fim da vida.

Sua obra mais conhecida se mantém sendo “As Veias Abertas da América Latina”, lançado em 1971. Nele, Galeano, faz uma análise política e econômica da América Latina desde o colonialismo até a contemporaneidade – tema a que o jornalista e escritor uruguaio dedicou toda sua obra. “Eu não conhecia como achava”, disse em 2014.

Biografia
Nascido em Montevidéu, em 1940, em uma família de classe média, desde a adolescência Galeano se associou a movimentos de esquerda, tendo começado sua carreira no jornalismo aos 20 anos.

Foi preso três anos depois com o início da ditadura no país, e se refugiou na Argentina – onde passaria a ser perseguido a partir de 1976. Foi na Argentina que escreveu “Veias Abertas”. Galeano se refugiou na década de 1980 na Espanha, quando escreveu a trilogia “Memória do Fogo”. Ele é autor também de “Dias e Noites de Amor e de Guerra” (1978),  “O Livro dos Abraços” (1989) e outros.

Galeano só voltou para o Uruguai em 1985. Ele se envolveu ao longo da vida na luta pela punição dos militares responsáveis pela ditadura. O câncer de pulmão de Galeano foi diagnosticado em 2007, retirado às pressas e voltou a se manifestar apenas este ano. O escritor foi casado quatro vezes e teve três filhos.

Entrevista

Em uma entrevista inédita, feita no fim do ano passado, o escritor falou ao Metro World News sobre a necessidade de respeito social, a poesia como combustível essencial para a vida e sua amizade com José Mujica:

Como o senhor vê a situação do Uruguai no momento?
O Uruguai sempre foi maravilhoso, especialmente no começo do século 20. Foi um dos primeiros países a validar a lei do divórcio, a estabelecer a separação entre o Estado e a Igreja, a proteger o direito dos trabalhadores. Durante a ditadura, aconteceu um retrocesso. Antes, existia como norma a confiança na palavra de um cidadão, mas, durante o regime militar, a mentira começou a imperar. Foram anos tenebrosos, mas estamos nos recuperando agora, tentando estabelecer um verdadeiro sentido de democracia e apostar na diversidade.

O senhor vê a legalização da maconha no Uruguai como parte dessa política de diversidade?
Sim, mas não só isso. A legalização é o primeiro passo realista para se combater o tráfico. Qualquer outra solução não passa de hipocrisia. A política atual de combate às drogas vê o usuário como delinquente. Mas usuários não são criminosos, e sim, doentes. Como doentes, precisam de tratamento e não de cadeia. Então, o sistema atual não funciona, isso já foi provado e testado à exaustão. Então a iniciativa que o [ex-presidente José] Mujica estabeleceu foi uma atitude radical, viável e funcional de acabar com esse problema.

Como o senhor e Mujica se conheceram?
Nos conhecemos há muitos anos e nos tornamos muito bons amigos. Ele é uma pessoa fascinante, que tem calor humano e é isso que o diferencia de outros políticos.

Como foi escrever seu último livro, “Os Filhos dos Dias”?
O processo da escrita é o mesma para mim. Tento manter sempre o elemento poético, porque acredito que há poesia em tudo na vida. Desde quando comecei a escrever, com influências de Juan Carlos Onetti e Ambrose Bierce, nada mudou: a poesia da linguagem é o que me move. É ela que faz a vida bela.

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