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Entretenimento 02/04/2015

Cineasta português Manoel de Oliveira morre aos 106 anos

Valérie Dupoy/ Festival de Cinema Paris 04/07/2009

Manoel morreu aos 106 anos | Valérie Dupoy/ Festival de Cinema Paris

O cineasta português Manoel de Oliveira morreu nesta quinta-feira, dia 2, aos 106 anos, informou à AFP o produtor Luis Urbano, que citou fontes ligadas à família.

Manoel de Oliveira era o cineasta na ativa mais idoso do mundo. Desde o lançamento de seu primeiro filme, em 1931, na era do cinema mudo, Oliveira dirigiu mais de 50 longas-metragens de ficção e documentários.

Nascido em 11 de dezembro de 1908 na cidade do Porto, norte do país, filho de um empresário apaixonado por cinema, Oliveira estreou na tela com 20 anos como figurante no filme mudo “Fátima milagrosa”.

Em 1931 ele rodou seu primeiro documentário, também mudo, “Douro, Faina Fluvial”, sobre a vida dos trabalhadores do rio que passa por sua cidade natal.

Ator no primeiro filme falado de Portugal, “A Canção de Lisboa”, de 1933, Manoel de Oliveira tinha interesse especial pela direção. Depois de vários documentários, estreou na ficção com “Aniki-Bobo”, de 1942, sobre a vida das crianças de um bairro popular do Porto.

Com a situação política e a falta de infraestruturas em Portugal durante o regime de Salazar, permaneceu afastado das câmeras e só conseguiu lançar o segundo longa-metragem, “Acto da primavera” , sobre a paixão de Cristo, em 1963.

Depois de uma tetralogia sobre amores frustrados com “Amor de Perdição” (1979) e “Francisca” (1981) principalmente, passou a rodar praticamente um filme por ano a partir de 1985, quando estreou “Soulier de Satin”, uma obra de quase sete horas que ganhou o Leão de Ouro na Mostra de Veneza.

Depois dirigiu “Non, ou A Vã Glória de Mandar” (1990), “A divina comédia” (1991), “A caixa” (1994), “O Convento” (1995), “Belle toujours” (2006), “Cristóvão Colombo – O Enigma” (2007), “O Estranho Caso de Angélica” (2010) e “O Gebo e a Sombra” (2012).

No fim de 2014, para celebrar o aniversário de 106 anos, o cineasta se reencontrou mais uma vez com seu público por ocasião da estreia em Portugal de “O Velho do Restelo”, um curta-metragem que havia rodado alguns meses antes, apesar do estado frágil de saúde.

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