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Entretenimento 01/04/2015

Espetáculo ‘Saudade de Mim’ se inspira em Portinari e Chico Buarque

Coreógrafo Alex Neoral aposta ainda no teatro para peça | Cristina Granato/Divulgação

Coreógrafo Alex Neoral aposta ainda no teatro para peça | Cristina Granato/Divulgação

O que existe de comum entre as telas de Cândido Portinari (1903-1962) e as canções de Chico Buarque? “Há interseções, como o regionalismo e a questão do brasileiro”, aponta o coreógrafo Alex Neoral.

Apesar disso, não são esses temas que inspiram “Saudade de Mim”, o mais recente trabalho da carioca Focus Cia. de Dança, que estreia nesta quinta-feira em São Paulo, na Galeria Olido.

“A ideia inicial era misturar linguagens artísticas diferentes, mas a partir do que havia de falta de interseção entre eles”, ressalta Neoral. Isso significou um afastamento do tom político defendido pelos dois e um enfoque nas relações pessoais, investindo, também, na questão teatral.

“Essa é uma narrativa que eu criei ao pegar personagens das músicas do Chico e das telas do Portinari e encaixá-los [na cena]. Por exemplo, pego o personagem de ‘O Mestiço’ (1934), que é uma pintura emblemática, e o chamo de Juca, que é um nome do Chico.”

Na visão do coreógrafo, o fato de os bailarinos serem afetados por várias linguagens cria novas camadas de leitura da obra. “O espetáculo fica muito rico até chegar à dança. Ela não vem abstrata, mas carregada de intenção, de emoção, de imagens e de significados do gestos.”

Neoral é o nome por trás de “As Canções que Você Dançou para Mim” (2011), um hit da dança contemporânea recente, que teve público de 45 mil pessoas com uma coreografia construída a partir de faixas de Roberto Carlos.

Apesar de apostar mais uma vez em músicas de um cantor popular, a intenção do coreógrafo com “Saudade de Mim” não foi buscar identificação imediata da plateia.

“Como a gente não tem diálogo, não há garantia de entendimento. Mas existe um apontamento. Não me interessa como artista apenas ser entendido. Acho que a arte, além de questionar, tem que fazer você refletir ao se enxergar ali. Esse é outro tipo de emoção, mais densa, mas que também chega ao público.”

Onde
Na Galeria Olido (av. São João, 473, Centro; tel.:3331-8399). Estreia. De qui. a sáb., às 20h; dom., às 19h (exceto dia 9). Até 12/4. Grátis