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Entretenimento 01/04/2015

‘Amor à Primeira Briga’ surpreende com trama palpável de descoberta do amor

Arnaud (Kevin Azaïs) e Madeleine (Adèle Haenel) | Divulgação

Arnaud (Kevin Azaïs) e Madeleine (Adèle Haenel) | Divulgação

Arnaud (Kevin Azaïs) e Madeleine (Adèle Haenel) se conhecem durante o verão e, de cara, percebem não ter nada em comum. Os dois passam a conviver quando ele, sem qualquer perspectiva profissional, entra na firma da família e constrói um abrigo na casa dos pais dela.

O desejo de Madeleine é se preparar para uma catástrofre mundial, enquanto Arnaud só quer entender a garota e a segue em um campo de treinamento do exército para jovens. Em busca de aprender a sobreviver, ela acaba aprendendo com o rapaz o que é viver – e o valor do amor.

Assim é “Amor à Primeira Briga”, que estreia nesta quinta-feira. Premiado na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes e no Cesar (o Oscar francês), o filme surpreende pelo frescor com que narra um romance nascido do isolamento de um jovem casal tal como em “A Lagoa Azul” (1980). A diferença é que aqui o diretor estreante Thomas Cailley foge de qualquer romantismo óbvio, conferindo complexidade e realismo aos personagens.

“Em um ambiente hostil, estão todos contra todos. E o amor é a ideia que combate isso”, afirma Cailley, que esteve no país para o lançamento do filme.

Ele comenta o cenário de crise que serve de pano de fundo para a produção. “Essa é uma geração um pouco paradoxal porque, de um lado, a sociedade diz que não há lugar para eles e, de outro, diz ‘sejam vocês mesmos’. Isso gera uma angústia real. Arnaud tem um sentimento de conformidade, de olhar para as pessoas que ama. Madeleine tem um senso de destruição, de guerra. Mas, ao fim, essas são duas instâncias diferentes que exprimem uma mesma angústia”, diz ele.

Apesar de ser uma comédia, “Amor à Primeira Briga” não é do tipo que faz o público gargalhar. “Para mim, o importante são os personagens, e queria exprimir justeza do que eles sentiam. Essa é uma comédia de aprendizado, de iniciação, que é, por vezes, divertida”, conclui.