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‘Vício Inerente’ reúne Paul Thomas Anderson e Thomas Pynchon

Para sua mais nova empreitada, o diretor Paul Thomas Anderson se baseou em um titã literário tido até então como inadaptável, mas o cineasta tem sido fã do recluso escritor americano Thomas Pynchon há tanto tempo que afirma ser impossível para ele não fazer uma versão cinematográfica de “Vício Inerente”, romance de 2009 sobre um detetive particular drogado (Joaquin Phoenix) que trabalha em um caso na Los Angeles dos anos 1970.

Ouvi que Pynchon faria uma participação…
Você apostaria quantos ingressos venderíamos para fanáticos por Pynchon querendo vê-lo? As chances são de que eles voltariam 50 vezes, e, você sabe, esse é um monte de dinheiro que não podemos jogar fora, então temos que manter… (risos) Ele está certamente por lá em algum lugar! É apenas preciso voltar várias vezes para encontrá-lo. Desejo-lhe sorte!

Você poderia desenhar um retrato dele?
Aqui vai. (risos, veja ao lado)

Retrato de Pynchon (segundo o diretor) | Metro Internacional

Adaptar Pynchon para a tela é uma tarefa assustadora. Em que momento você disse: “devo fazer isso”?
Foram duas coisas em uma. Pensei: “Eu não sei fazer isso nem consigo fazê-lo, mas ninguém mais vai ter permissão para fazê-lo além de mim.” Tenho amado o trabalho dele há muito tempo. Flertei com a ideia de adaptar “Vineland”. Por um instante também pensei que pudesse tentar com “Mason e Dixon” – e talvez eu ainda o faça. Mas esse pareceu factível, pois havia um grande personagem principal passeando por outros grandes personagens. E adoro que haja papéis incríveis para muheres. Fazer seu herói interagir com todas elas parecia algo atraente. Passei um tempo tentando me convencer a não fazer, dizendo que eu não deveria fazer mais um filme sobre Los Angeles – mas, enquanto escrevia, tudo funcionava como um vício e eu estava naquela situação em que você diz “eu realmente não posso tomar mais uma dose” enquanto já está com o copo na mão. Foi muito difícil de resistir.

Você pensa nos seus filmes como uma só obra?
Somente nas entrevistas. Como agora. Eu nunca pensei que fosse fazer um filme de detetive. Esse foi um jeito de fazer um filme de Thomas Pynchon, e as preocupações dele são as minhas também, quer eu as tenha obtido a partir dos escritos dele ou de forma inata – e se assim for, talvez seja por isso que a voz dele ressoa tanto em mim. Eu queria usar o tipo de preocupação que ele tem por este país, este planeta e sobre o que vai acontecer. Você sabe, todo esse tipo de coisa que eu adoro. Essas coisas me fazem ir adiante. Elas revelam uma briga interna que me faz sentir-me bem. E eu obtenho isso da obra dele. Ele vê o absurdo de tudo, não apenas o absurdo em si – e também se irrita bastante com tudo.

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