Estreia 'Salomé´, única ópera dirigida por uma brasileira no Municipal em 2014

Por Amanda Queirós - Metro

A arte entrou na vida de Lívia Sabag pela família. Com pai maestro e mãe atriz, ela conviveu desde pequena com as mais diversas manifestações, tendo estudado teatro, música e canto e, mais tarde, também dança. Ainda adolescente, no entanto, ela mal podia imaginar que sua futura profissão reuniria justamente essas quatro vertentes.

“Quando tinha 23 anos, dirigi uma montagem de ópera de estudantes e me apaixonei. Foi uma experiência tão forte que resolvi focar nisso”, afirma ela, que se formou em Artes Cênicas pela USP.

Hoje, aos 34, ela desponta hoje como uma das diretoras de ópera mais interessantes do Brasil. Após uma bem sucedida montagem de “The Turn of the Screw”, de Britten (1913-1976), realizada no ano passado para o Theatro São Pedro, ela assume a responsabilidade de ser a única brasileira a assinar uma direção cênica na temporada lírica do Theatro Municipal.

A ópera em questão é “Salomé”, de Richard Strauss (1864-1949), que abre temporada neste sábado. Sob a regência de John Neschling, a soprano alemã Nadja Michael encarna o papel-título da trama bíblica – apresentada aqui a partir da visão teatral de Oscar Wilde (1854-1900) – sobre a princesa que, impossibilitada de viver seu amor pelo profeta João Batista, pede a cabeça dele ao padrasto Herodes.

Para retratar com fidelidade o espírito da obra, Sabag mergulhou nas referências utilizadas por Wilde, como romances, poemas e pinturas que evidenciavam a valorização do sensível em detrimento do racional. Na visão da diretora, a cenografia evitou situar a história em um período histórico determinado. “Tentei suspender o tempo e o espaço, em um cenário capaz de expressar a atmosfera da música”, explica.

Um dos momentos mais marcantes é a Dança dos Sete Véus, quando Salomé dança para um padrasto louco de desejo pela enteada. A cena ganha o reforço do Balé da Cidade, com uma coreografia original do português André Mesquita. “Queria desdobrar a imaginação do Herodes e da Salomé em outros corpos, em um erótico que não é explícito, que fica entre o abstrato e o sensual”, afirma a diretora.

Serviço: Theatro Municipal (pça. Ramos de Azevedo, s/n, Centro, tel.: 3053-2090). Estreia neste sábado. Sáb., ter. e qui., às 20h; dom., às 18h. De 40 a R$ 100. Até 20/9.


Cena do espetáculo ‘Salomé’; acima, a diretora Lívia Sabag | Desireé Furoni/Divulgação
Cena do espetáculo ‘Salomé’; acima, a diretora Lívia Sabag | Desireé Furoni/Divulgação
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