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‘O Emmy não mudou minha vida’, afirma Fernanda Montenegro

Fernanda Montenegro é a única brasileira já indicada ao Oscar e vencedora do mais importante prêmio da TV internacional | Divulgação
Fernanda Montenegro é a única brasileira já indicada ao Oscar e vencedora do mais importante prêmio da TV internacional | Divulgação

Com uma plateia de quase 100 pessoas, a atriz Fernanda Montenegro, de 84 anos, subiu mais uma vez ao palco, mas sem decorar roteiros. Após 43 anos, ela retornou ao Museu da Imagem e do Som (MIS), no Rio de Janeiro, na semana passada, para participar da série “Depoimentos para a Posteridade”.

Primeira atriz a depor pela segunda vez no MIS, Fernanda foi sabatinada pela presidente do museu, Rosa Maria Magalhães; o autor de novelas Gilberto Braga; a crítica teatral Barbara Heliodora; a atriz Jacqueline Lawrence; a produtora Carmen Mello; o ator Otávio Augusto; a teatróloga Maria Inês de Almeida e a professora da PUC Tereza Miranda.

Com 69 anos de carreira, Fernanda recorda com saudosismo e carinho as encenações no teatro: foram mais de 80 peças. Ela destaca a importância do marido Fernando Torres (morto em 2008, aos 80 anos) na carreira, principalmente no teatro. “Se não fosse esse companheiro de vida, eu não seria eu”, explica.

Durante o encontro, Fernanda também criticou as iniciativas do governo de diminuir o preço dos ingressos de espetáculos a R$ 1, R$ 5.

Segundo a atriz, a cultura está nas mãos dos políticos. “A plateia está baseada no ‘baratinho’. Sinto saudade de um teatro que já não existe mais. A plateia não sabe pagar por um bom espetáculo”, reclamou.

Fernanda começou a carreira na Rádio MEC, em 1945, com um curso para formação de radialistas. Fundamental na entrada da atriz para o teatro, o curso lhe deu referências culturais, como a leitura dos romances do século 19. Para ela, sem a literatura não há ideias “vivas” para a dramaturgia.

“Tem certos autores que você tem que ler. Não sei como é a formação de um ator hoje. Não sei se ele tem tempo de ler ou se apenas lê um resumo na internet.”

Além de estar na série “Doce de Mãe”, atualmente exibida na TV Globo, Fernanda se prepara para participar de sua primeira direção teatral: um monólogo com o ator Otávio Augusto. A peça será uma adaptação do livro “Nelson Rodrigues por Ele Mesmo”, de Sônia Rodrigues, filha de Nelson. 

Fernanda critica o Oscar, maior prêmio do cinema | Bruna Prado/ Metro Rio
Fernanda critica o Oscar, maior prêmio
do cinema | Bruna Prado/ Metro Rio

Atriz Fernanda Montenegro fala ao Metro Jornal  sobre sua estreia na direção teatral e uma possível aposentadoria

Pela primeira vez em 69 anos de carreira, a atriz vai  participar da direção de um monólogo relacionado a Nelson Rodrigues. A previsão de estreia do espetáculo é para este semestre.

Como é estrear uma peça como diretora?

Tenho muito cuidado de falar diretora. Vamos dizer que estou fazendo uma organização cênica. Não é que queira driblar responsabilidades. É uma direção, sem dúvida nenhuma, mas é uma “antedireção”. Como dominar isso no teatro? Fui dirigida a vida inteira, tenho experiência de quem sofreu direção. Outra coisa é você organizar um espetáculo.

Pensa em dar uma pausa? 

Penso sempre que daqui a pouco vou parar, mas como os convites continuam, e são excelentes, digo ‘meu Deus, eu vou ficar em casa olhando para a parede?’. Então vou lá e faço. E não sinto falta de nada. Deixo a vida me levar. 

Atriz viverá romance com Nathalia Timberg na TV

“Prêmio a gente ganha e volta para a casa quieto. Ganhei o Emmy, mas isso não mudou em nada na minha vida”, destaca Fernanda Montenegro. A atriz ganhou o Emmy Internacional, em 2013, com “Doce de Mãe”, especial de fim de ano da Rede Globo.

No MIS, Fernanda demonstrou não se importar com premiações. Única brasileira indicada ao Oscar (em 1999, por “Central do Brasil”), a atriz conta que esqueceu o convite da cerimônia no hotel.

Ela criticou o maior prêmio do cinema hollywoodiano. Segundo Fernanda, o Emmy é maior se comparado ao Oscar, pois envolve delegações de diferentes países, como Índia e Austrália. “O Oscar é um prêmio norte-americano. E lá é um jogo de poder, uma guerra sem pólvora.”

Entre as 30 novelas e minisséries de que participou na TV estão “Baila Comigo” (1981), de Manoel Carlos, “Guerra dos Sexos” (1983), “Cambalacho” (1986), “Belíssima” (2005)  e “Passione” (2010), de Sílvio de Abreu.

Em 2015, Fernanda vai participar de uma novela de Gilberto Braga e formará um casal homossexual com Nathalia Timberg.

 

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