Ventilador pulmonar de baixo custo é desenvolvido em Oxford

Esperança. Batemos um papo com cientista de Oxford sobre a criação do OxVent, ventilador pulmonar de baixo custo

Por Metro Internacional

O mundo inteiro está correndo atrás de soluções contra a pandemia. Para contornar a escassez de ventiladores pulmonares, uma equipe de engenheiros e médicos da Universidade de Oxford e do King’s College de Londres, no Reino Unido, criou uma versão do equipamento barata, de rápida implementação e fácil elaboração, chamada OxVent.

A equipe de 20 pessoas montou um dispositivo que, no futuro, poderia ser replicado em outros países a um custo de US$ 1.200, já que ele deve ser tornado público, “open source”. Falamos com Carla Fuenteslópez, parte do grupo, na divisão de Manufatura e da MHRA (Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos para a Saúde do Reino Unido), na Universidade de Oxford.

O Metro World News entrevistou a cientista Carla Fuentes López, que integra o projeto, sobre a criação do OxVent. Ela afirma que o equipamento poderá ser usado por outros países no futuro.

Como vocês começaram com o desenvolvimento do OxVent?
Estamos antecipando que a pandemia de covid-19 colocará o sistema de saúde do Reino Unido sob grande pressão, como temos visto em outros países, por isso haverá uma grande necessidade de proporcionar ventilação assistida aos pacientes. OxVent é uma solução de baixo custo e amplamente acessível. O controlador com o qual ele conta obtém uma ventilação confiável e eficiente, assegurando uma operação robusta e segura do dispositivo. Nosso objetivo é incrementarcapacidade de produzir ventiladores e satisfazer a crescente demanda provocada pelo coronavírus.

Em que fase está o desenvolvimento do ventilador?
Atualmente, contamos com um protótipo funcional e estamos no processo de obter a certificação por parte da MHRA. Isso tem como objetivo demonstrar que o desenho é confiável e seguro, além de que o ventilador cumpre com os requisitos de desempenho. Posteriormente, começaríamos a trabalhar com a rede de manufatura – a qual estamos consolidando nesse momento – para iniciar a produção e distribuição dos ventiladores. Em menos de uma semana, este enorme esforço teve como resultado o desenho e a criação de um protótipo simples e robusto. Também estamos aproveitado o processo normativo mais acelerado, uma resposta diante da pandemia. Isso nos ajudou a responder ao desafio tão rapidamente.

Com a identificação do governo de centros de montagem certificados, as universidades, pequenas e médias empresas e a indústria de grande escala poderiam fabricar e montar estes ventiladores localmente, no seus hospitais. Isso permitirá organizar a produção de acordo com a demanda local e, assim, reduzir a carga sobre o sistema de produção e distribuição do NHS (National Health Service, o Serviço de Saúde Nacional do Reino Unido).

Ao mesmo tempo, estamos trabalhando para assegurar a qualidade do OxVent, o que inclui a capacitação na rede de fabricação, fazer provas centralizadas e colaborar com o governo para garantir a qualidade.

Como vocês pensaram no design?
Testamos diferentes algoritmos de controle, que pegam a informação dos sensores de pressão do dispositivo e determinam a abertura e o fechamento ótimos da válvula, e desenvolvemos um simulador que interage com o microcontrolador. Isso nos permite testar diferentes designs e sua resposta diante de uma gama de tipos de pacientes, cenários, entre outros. Cumpridos os requisitos de desempenho, segurança e confiabilidade, procedemos para a criação do protótipo físico.

O ventilador tem poucas partes móveis, o que minimiza o risco de falhas. É construído com componentes disponíveis comercialmente, já parte da cadeia de suprimentos do NHS. É possível fabricar facilmente em um grande número de instalações, utilizando técnicas e ferramentas disponíveis, seja em fábricas bem equipadas, universidades ou pequenas e médias empresas. Isso facilita a articulação da rede de manufatura e diminui o tempo de fabricação, de poucas horas.

Qual é a diferença com os que estão sendo usados  em várias partes do mundo?
Existem outros modelos, em que uma só pessoa opera um ventilador conectado a dois ou quatro pacientes, reduzindo os profissionais necessários para o manejo. No entanto, um dos problemas principais destes designs é, por exemplo, que os pacientes podem ser de idades distintas, por isso têm necessidades de ventilação diferentes. OxVent se distingue por ser automático, não precisa da presença constante de profissionais para assegurar o bom funcionamento do equipamento. Isso permite que atendam a outros pacientes e aumente a capacidade de resposta de clínicas e hospitais. Além disso, é possível configurar os parâmetros de ventilação para cada paciente.

Uma das características distintivas é o inovador modelo de fabricação distribuída, o que contribui para incrementar a capacidade de produção – estimamos em 20 mil unidades em dois meses.

Nossa ideia é tornar os desenhos  públicos, circular vídeos para ajudar na capacitação, assim como colaborar com profissionais da saúde. Estamos buscando compartilhar o know-how para que chegue a outros países, seja para esta pandemia ou necessidades futuras.

Loading...
Revisa el siguiente artículo