As grávidas e a Covid-19

Entenda por que as gestantes estão mais propensas a infecções e fazem parte do grupo de risco da Covid-19; veja orientações para o período pré-natal

Por Verônica Fraidenraich

A notícia recente de que as gestantes passaram a fazer parte do grupo de risco da Covid-19 deixou muitas delas preocupadas sobre a chance de contrair a doença. Na verdade, as grávidas são mais vulneráveis a infecções em geral, por passarem por mudanças imunológicas que deixam as defesas do corpo mais baixas – daí o fato delas terem de tomar cuidados redobrados para evitar contrair qualquer doença durante a gestação.

“As gestantes e imunossuprimidos sempre são uma preocupação, principalmente quando ainda não se conhece tudo sobre uma doença”, afirma nota assinada pela equipe de infectologistas do Hospital Sírio Libanês, referindo-se ao risco das grávidas contraírem o coronavírus. Segundo os especialistas, como se trata de uma doença nova, muitas das orientações às gestantes se baseiam no conhecimento prévio de ocorrências de infecções respiratórias durante a gravidez, causadas por outros vírus como o H1N1, da gripe, e  SARS-CoV, síndrome respiratória aguda grave causada pelo coronavírus, cuja epidemia começou em 2002 na China.

O Ministério da Saúde também afirma que, de modo geral, gestantes e puérperas (mães de recém-nascidos com até 45 dias de vida) são mais vulneráveis a infecções e, por isso, estão nos grupos de risco do vírus da gripe – e, logo, do coronavírus. “Estudos científicos apontam que a fisiopatologia do vírus H1N1 pode apresentar letalidade nesses grupos associados à história clínica de comorbidades dessas mulheres. Sendo assim, para a infecção pelo Covid-19, o risco é semelhante pelos mesmos motivos fisiológicos, embora ainda não tenha estudo específico conclusivo”, diz comunicado enviado pela assessoria de imprensa da pasta. Portanto, os cuidados com gestantes e puérperas devem ser rigorosos e contínuos, independentemente do histórico clínico das pacientes, ressalta a nota do Ministério da Saúde.

Leia também: Como identificar se seu filho está lidando bem com a quarentena

Mas o que sim se sabe até agora, cientificamente, é que são poucas as chances de gravidade da Covid-19 na gestante. “Em geral, elas não desenvolvem a forma mais grave da doença”, afirma Raphael Garcia Moreno Leão, coordenador de ginecologia e obstetrícia do Hospital Christóvão da Gama, do grupo Leforte. Ele diz que o que se tem observado é um número maior de partos prematuros de gestantes com coronavírus, em que os bebês nascem com 36 semanas, o que pode ser considerado comum. Além disso, dados mostram que não há impacto da doença no momento do parto e na saúde do bebê.

Abaixo, seguem as principais dúvidas sobre riscos de contágio do vírus, cuidados a tomar, vacinas, pré-natal, principais sintomas da doença e como saber se é hora de ir ao hospital caso os sintomas prevaleçam.

Orientações às gestantes em tempos de Covid-19

Existe um risco maior da gestante contrair o novo coronavírus?
Sim. Embora pesquisas não mostrem haver maior gravidade de ocorrência da Covid-19 durante a gestação, as orientações a esse grupo se baseiam no conhecimento prévio de ocorrências por outras infecções respiratórias causadas por vírus como o da gripe (H1N1), e o SARS-CoV (síndrome respiratória aguda grave de coronavírus), agente causador da epidemia de SARS em 2002.

A grávida pode transmitir o coronavírus ao bebê?
Os estudos até agora realizados dizem que não. “Por enquanto, não está caracterizado esse risco, É um risco teórico, não há nenhum caso efetivo dessa forma de transmissão”, afirma Cláudio Maierovitch, médico sanitarista da Fiocruz. Análise feita com 38 mulheres tiveram testes negativos em suas placentas e líquido amniótico. “Contudo, ainda são números pequenos para afirmar cientificamente. O melhor a se fazer é evitar o contato com o vírus”, ressalta a pediatra Talita Rizzini, do Hospital Leforte. Tire aqui outras dúvidas sobre o risco de transmissão do coronavírus da mãe ao bebê.

A grávida precisa tomar cuidados adicionais para evitar o contágio por coronavírus?
Não. Ela tem de tomar os mesmos cuidados que a população em geral, seguindo o isolamento social e as devidas normas de higiene das mãos e do ambiente. Além disso, deve evitar contato com pessoas doentes e ir ao pronto atendimento sem necessidade.

Leia também: Em quais situações devo levar meu filho ao pronto-socorro?

Deve-se suspender o pré-natal por causa do coronavírus?
Não. É essencial que a gestante siga o pré-natal normalmente. Se por acaso, o ambulatório ou local que presta o atendimento estiver fechado ou sem médico, é preciso se informar onde dar continuidade ao pré-natal.

A gestante deve tomar a vacina de influenza (H1N1)?
Sim. Ela deve ser imunizada contra o vírus da gripe (H1N1), ainda que essa vacina não proteja contra o coronavírus. Igualmente, ela tem de tomar todas as vacinas do calendário normal de vacinação.

Leia também: Crianças com problemas respiratórios – saiba que cuidados tomar

Como o organismo da gestante reage ao novo coronavírus? 
O organismo da gestante responde de forma semelhante ao das mulheres que não estão grávidas, apresentando pneumonia em condição parecida ao da população em geral. Dados preliminares (e animadores) mostram que a doença parece não impactar na hora do parto e na saúde do bebê.

Quando ir ao hospital, caso a gestante contraia o coronavírus?
Cansaço e falta de ar são os principais sintomas na gestante (e nas mulheres em geral) que indicam possibilidade da doença. Febre, dor de garganta e coriza também podem se manifestar. “Mas o que mais preocupa mesmo é a falta de ar em situações de rotina. Se a gestante vai tomar banho e começa a sentir que não está vindo o ar, ela deve procurar  um hospital imediatamente”, orienta Leão. Ele reforça também a importância de manter contato frequente com o médico do pré-natal.

Fonte: Hospitais Albert Einstein, Leforte e Sírio Libanês

Quer receber mais conteúdos como esse? Clique aqui para assinar a nossa newsletter.

Loading...
Revisa el siguiente artículo