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Colunistas 10/06/2021

Andar a pé eu vou

O projeto Como Anda lançou a publicação interativa “Andar a pé eu vou: caminhos para a defesa da causa no Brasil”, inspirada pelo desejo de reunir experiências e grupos que valorizam o transporte a pé.

O trabalho é muito interessante e pode ser acessado pelo link http://comoanda.org.br/explore/biblioteca/biblioteca-como-anda/ e mostra a urgência de fortalecer o caminhar na agenda política do Brasil, especialmente após a pandemia da Covid-19.

Como diz o documento, a cidade acessível aos deslocamentos a pé permite que pessoas voltem a sair às ruas, frequentem os espaços públicos, trabalhem e realizem suas atividades do cotidiano de forma segura e saudável.

Somos todos pedestres

De acordo com pesquisas, 40% dos brasileiros se deslocam exclusivamente a pé. Isso significa que somos aproximadamente 130 milhões de pedestres em movimento pelas ruas do país.

Caminhar é a forma mais antiga e natural que existe. Realmente, não somos bípedes por acaso. A postura ereta e a cabeça erguida do Homo erectus, que já tinha o cérebro mais desenvolvido e melhor raciocínio do que sua espécie anterior, o Homo habilis, possibilitavam a visão dos inimigos e a fabricação de ferramentas.

Esses primeiros bípedes foram abrindo caminhos evolutivos para nós, os Homo sapiens. E hoje nos esquecemos dessa habilidade tão importante, que traz inúmeros benefícios para a saúde, para o meio ambiente e para o bem-estar das pessoas e das cidades.

Benefícios para a saúde

Andar a pé é uma celebração diária, pois esse tipo de transporte, além de saudável e inclusivo, é prazeroso, divertido e contagiante. Os andarilhos que o digam. Difícil deixar esse hábito depois de alguns dias de caminhada diária. Afinal, andar pode funcionar como uma verdadeira meditação nesse dia a dia repleto de afazeres e atividades. Um momento para se conectar com você mesmo. Várias pesquisas científicas já comprovaram os benefícios da caminhada, quando feita com atenção plena, para a saúde do corpo, do espírito e da mente. Não é por acaso que os monges budistas meditam caminhando há mais de dois mil anos, buscando a paz interior.

A questão é que há muito a trilhar para que haja segurança e bem-estar para os pedestres. Há décadas, a urbanização das cidades brasileiras priorizou os meios de transportes individuais e motorizados. Apesar de o transporte a pé ser tão inclusivo, econômico e saudável, ele é o mais negligenciado no Brasil. A ponto de as pessoas não sentirem orgulho de serem pedestres.

Precisamos lutar contra estigmas e preconceitos que só fazem mal para a saúde das pessoas e das cidades. A formulação de políticas públicas a favor dos pedestres; a conscientização de pessoas ao nosso redor, para que experimentem o transporte a pé; o apoio aos vários projetos que valorizam a mobilidade ativa. Todos esses passos são necessários e importantes. Bora caminhar!