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Colunistas 22/04/2021

O carro, um vilão?

Ele já foi desejado e idolatrado, mas nos últimos anos o carro não tem o mesmo apelo de antes, especialmente para as novas gerações. Pesquisa feita no fim de 2018 pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), em onze capitais brasileiras, mostrou que 61% dos entrevistados entre 18 e 35 anos não desejam comprar um carro nos próximos cinco anos.

A pandemia pode ter mudado um pouco esse quadro, devido à necessidade de isolamento, mas estudiosos de tendências apontam para uma queda expressiva do modal nos países desenvolvidos, em função da alta de valores como saúde, sustentabilidade e economia financeira.

No Brasil, temos ainda um longo caminho a percorrer, pois o carro é associado a status e poder, além do fato de que não tivemos, historicamente, investimentos no transporte coletivo. Ao contrário do que acontece lá fora, aqui as elites torcem o nariz para o ônibus, o trem e o metrô. E isso é péssimo, pois não se valoriza publicamente o que deveria estar no topo da pirâmide. Além disso, pedestres, que formam a maioria no país – e que são a maioria das vítimas em acidentes de trânsito – precisam ser priorizados, cuidados e protegidos. Como os ciclistas, eles não poluem e ajudam a reduzir os congestionamentos nas cidades, tornando-as mais saudáveis e acolhedoras.

Confira algumas opiniões de especialistas sobre o carro:

“A cidade avançada não
é aquela onde os pobres andam de carro, mas aquela onde os ricos usam o transporte público”

Enrique Peñalosa Enrique, ex-prefeito de Bogotá

“Não existe nenhuma cidade
grande no mundo que tenha resolvido seu problema de mobilidade urbana investindo no transporte individual motorizado”

Carlos Aranha, do Grupo de Trabalho de Mobilidade Urbana da Rede Nossa São Paulo

“O modelo clássico que existiu até hoje, fundamentado no carro individual movido a combustível fóssil, está com os dias contados”

Lucio Gregori, engenheiro e ex-secretário municipal de transportes

“O carro é uma ideia ultrapassada nas cidades; as pessoas são mais importantes do que eles”

Jan Gehl, arquiteto e urbanista dinamarquês

“Os jovens alemães das grandes cidades já não valorizam o carro, mas no Brasil isso ainda é muito forte. É o que chamamos de ‘egomóvel’, porque não é funcional, é mais um símbolo de status”

Martin Gegner, doutor em Sociologia Urbana pela Universidade Técnica de Berlim