Os espaços públicos e a felicidade humana

Por Pro Coletivo

Um livro lançado pela fundação canadense HealthBridge se debruça sobre a questão dos espaços públicos nas cidades: ruas, calçadas, ciclovias, parques, praças, mercados tradicionais e pequenas praças – e como as pessoas os usam.

De acordo com os autores da obra, disponível no link, em inglês (https://healthbridge.ca/images/uploads/library/Public_Spaces_How_they_Humanize_Cities.pdf), devemos todos trabalhar para salvar locais públicos, cuidando  para que se mantenham vivos, saudáveis e valorizados. “Os espaços públicos urbanos servem para aumentar a felicidade humana e promover um sentido de preocupação com os outros, sem os quais é impossível garantir a civilidade nas cidades”, diz um trecho do livro.

Sabemos que enormes mudanças ocorreram em cidades de todo o mundo nas últimas duas décadas. As crianças, que costumavam caminhar para a escola e brincar nas ruas, hoje estão reclusas (antes mesmo da pandemia) em suas casas, diante de telas digitais. Mais carros e motocicletas aumentaram o perigo nas ruas, além da poluição do ar.

Mas há o que fazer, dizem urbanistas e pesquisadores. Precisamos usar, abraçar e proteger os espaços públicos, vitais para as cidades e o desenvolvimento saudável humano (mental, físico e emocional).

De acordo com os autores, a “cidade moderna” falha ao não satisfazer as necessidades físicas e psicológicas básicas das pessoas, como estar próximo de familiares e amigos, se sentir parte de uma comunidade, preservar o tempo pessoal para atividades de lazer e cultura e até mesmo questões básicas, como o direito de caminhar, aproveitar o sol e as áreas verdes da cidade. Uma pesquisa mostrou que a felicidade continua a aumentar com a renda apenas até um certo nível, mas ela está mais associada ao bem-estar da comunidade e às interações sociais.

Portanto, em vez de shopping centers, restaurantes caros e locais que só podem ser acessados por automóvel, vamos estimular os pequenos negócios locais nos bairros, as praças e jardins onde as pessoas se encontram e o estilo de vida mais simples e saudável. Até porque a fase pós-pandêmica exige essa revisão completa de valores.

Exemplos de cidades que lutam para aumentar e melhorar seus espaços públicos ao ar livre são Nova York, Barcelona, Paris, Milão e Copenhague, entre outras metrópoles. Nova York vem reduzindo o espaço para o automóvel e devolvendo às pessoas na forma de ciclovias, bancos e jardins. Como lembra o premiado arquiteto dinamarquês Jan Gehl, o papel das ruas e calçadas não é apenas para movimento, mas também para local de encontro e diversão.

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