Vamos repensar a nossa mobilidade?

Por Pro Coletivo

No Brasil, o carro sempre foi o rei das ruas, por uma série de motivos. Além da política focada na indústria automobilística – um projeto de desenvolvimento urbano rodoviarista e centrado no uso do automóvel particular – foi vendida a ideia de que o carro é sinônimo de status. Até hoje, muita gente se esfola para ter um modelo do ano na garagem, mesmo passando dificuldades para viver.

Só que esse brilho vem sendo apagado, a cada ano, por uma fumaça grossa e mal cheirosa. A poluição nas cidades brasileiras tem crescido por causa dessa dependência do carro, causando mortes (onze mil por ano, só na capital paulista) e problemas graves, como infartos e AVCs. Fora os acidentes nas ruas, o stress, a ansiedade e o tempo e dinheiro perdidos nos congestionamentos.

Não se trata de banir completamente o automóvel, mas usá-lo com inteligência e equilíbrio. Com isso, podemos reduzir drasticamente os níveis de poluentes das cidades.

Segundo o IEMA, o Instituto de Energia e Meio Ambiente, a poluição gerada pelos carros em São Paulo é proporcionalmente muito maior do que a produzida pelos ônibus. De acordo com o instituto, ônibus e carros transportam diariamente quase o mesmo número de pessoas. Mas de cada 100 km rodados na cidade, 88 km são feitos por carros. Ou seja, eles ocupam muito mais espaço nas vias públicas. E emitem 70% dos gases de efeito estufa.

Assim, como o veículo coletivo transporta centenas ou milhares de pessoas por dia, quem anda de ônibus polui menos do que quem anda de carro. A emissão de material particulado, poluente crítico que prejudica a saúde, é quatro vezes menor nos ônibus do que nos carros por pessoa transportada. Assim, uma parcela privilegiada da população ocupa a maior parte do espaço público e dificulta a circulação dos ônibus. Para os passageiros, a péssima sensação de confinamento no trânsito é intensificada pela superlotação nos veículos.

David Tsai, do IEMA, observa que as futuras gestões municipais, se comprometidas com o bem-estar da população, devem priorizar ações para melhorar radicalmente o sistema de transporte público paulistano, investindo no seu aperfeiçoamento contínuo. Segundo ele, os ônibus devem ser confiáveis, rápidos, confortáveis, não poluentes e silenciosos.

Isso será possível com políticas públicas, investimento nos elétricos e na coletividade e mudanças de hábitos das pessoas. Deixar o carro na garagem e caminhar algumas quadras; se livrar do preconceito contra o ônibus e experimentá-lo fora do horário de pico; e usar a bicicleta são pequenas ações cotidianas que irão trazer mais saúde para todos. Que elas possam crescer em 2021.

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