A transformação pela bicicleta

Por Pro Coletivo

Arquiteto e urbanista formado pela Universidade de São Paulo, Bruno Uehara é também mecânico especializado em “framebuilding” – estudou com Koichi Yamaguchi, nos Estados Unidos, um dos mais importantes construtores de bikes do mundo – e artista plástico que faz obras com temas ligados à bicicleta.

Em conversa com o Pro Coletivo, ele fala de sua paixão por esse veículo, que segundo ele mudou sua vida para muito melhor. “É inconcebível imaginar o que seria a minha existência sem ela. Acredito que a bicicleta é um dos maiores instrumentos de transformação da humanidade, porque nos proporciona a liberdade de um deslocamento fluido, livre de estresse, de poluição, sem desperdício de recursos. Porém, não é somente um veículo ágil e econômico, ela também é uma fonte de vitalidade, fortalecendo nossa musculatura, nossos pulmões e nossa mente.”

Recomendada pela OMS como o melhor modal na pandemia, e priorizada em mais de 25 países, que abriram ciclovias e tiraram espaços de carros para dar lugar a ela, no Brasil a bicicleta não tem o apoio de políticas públicas e dos governantes, que priorizam o carro e, pior, estimulam a velocidade.

Bruno lamenta esse tipo de atraso e descaso: “Já está comprovado no mundo todo que o incentivo ao uso dos automóveis particulares não traz nenhum benefício para o uso urbano; eles aumentam os óbitos, a violência e a poluição, seja ela sonora ou atmosférica, sem falar nos prejuízos à saúde mental.”

Ele acha fundamental que empresas do setor recebam incentivos fiscais para tornar a bicicleta mais acessível para a população. “É um absurdo ver que bicicletas com o mínimo de segurança e qualidade custem tão caro, tornando-as praticamente inacessíveis para grande parte da população brasileira.”

Além de torná-la acessível, também é primordial torná-la segura, ele observa. “Qualquer pessoa sente o cheiro da morte ao levar uma fina de um carro. Por isso vemos tantos ciclistas nas calçadas (quando não há ciclovia). É o único lugar onde nos sentimos seguros, longe da letalidade de máquinas de 1 tonelada circulando a 40 km/h. A construção de uma única ciclovia é um incentivo para que ciclistas (e pedestres) possam ter mais espaço para circular dentro das cidades, mas é necessário criar uma rede, uma malha cicloviária que conecte todos os pontos da cidade para minimizar o abismo social que existe entre as periferias e o centro. Como também é urgente compartilhar o espaço de forma empática e gentil com todos, protegendo os elos mais frágeis, que são os ciclistas e pedestres.”

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