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Colunistas 28/10/2020

O dia em que Christopher Nolan salvou o cinema

Ame ou odeie Christopher Nolan, é preciso reconhecer que o diretor é um dos poucos nomes de grife hoje em Hollywood a tratar a experiência no cinema como uma coisa sagrada. É plenamente discutível a estratégia de Nolan de, no auge da pandemia, colocar o lançamento de seu Tenet como uma prioridade. Ninguém pode acusar o diretor, porém, de não ser assertivo. Num contexto em que atividades culturais esboçam um retorno, mas o público fica num fogo cruzado de argumentações – os exibidores dizem que as salas de cinema têm sistemas de refrigeração com renovação de ar similar ao de hospitais, os epidemiologistas reforçam que a melhor precaução é seguir o distanciamento social – essa assertividade ganha força.

Foi com uma mistura de receio e empolgação, portanto, que jornalistas de São Paulo voltaram a uma sala de cinema depois de oito meses para assistir a Tenet numa sessão de imprensa presencial. Foram 80 jornalistas numa manhã no IMAX; a lotação da sala, que comporta 379 pessoas, foi reduzida seguindo as especificações de combate ao Covid-19. As poltronas são marcadas com intervalos variados e recomendava-se que cada jornalista ficasse com sua própria garrafa de água e só removesse a máscara quando fosse bebê-la.

Tenet dura duas horas e meia, tempo suficiente para abstrair de vetores de contágio, carga viral, classes de EPI e outros conceitos a que fomos apresentados ao longo de 2020. Que os personagens do filme recorram a máscaras de oxigênio a certa altura – uma baliza visual que Nolan cria para ajudar o espectador a diferenciar os personagens que vêm do futuro – é uma irônica lembrança do que estamos vivendo no mundo real. Ainda assim, e independente da qualidade do filme, a imersão do cinema tem o poder de transportar por duas horas para uma realidade suspensa e segura, pelo menos na ficção.

FRASE DA SEMANA

“É como se o tempo não tivesse passado. Estamos basicamente mais confortáveis juntos do que nunca”

dez anos depois da sua segunda saída, o guitarrista John Frusciante celebra sua volta ao Red Hot Chili Peppers

NERDÔMETRO

Sobe

Maurício de Sousa: Aos 85 anos, o criador celebra a longevidade da Turma da Mônica, com mais dois filmes a caminho

Desce

Ampersand: O macaco protagonista da série Y – O Último Homem não será mais real; por esforço da PETA, agora o personagem será feito de CGI