Por que viramos todos recém-nascidos

Por Ivana Moreira

Você é do tipo que mantém a calma mesmo em situações de muito estresse, mas anda explodindo por qualquer coisa? Controlar as próprias emoções – e as reações que elas provocam – não anda fácil para mães e pais. Esses tempos de isolamento social estão mexendo com os nervos de todos, gente grande e gente pequena. Não se culpe se ficar em casa com tempo para a família (o que parecia um sonho há poucas semanas) tenha, de repente, virado um grande pesadelo.Isso não está acontecendo apenas com você, na sua família. 

Sentimentos ambivalentes

canguru no metro Reprodução

“No início, parecia um período de pausa e respiro para a vida familiar acontecer com mais intensidade; a sensação era a de um grande feriado com um propósito humanitário”, explica o psicólogo Alexandre Coimbra Amaral, num artigo que escreveu para explicar o sentimento que anda angustiando boa parte do pais. “A quarentena está começando a operar, em nós, sentimentos confusos, ambivalentes, repentinos.” 

Sem aviso prévio
Segundo ele, é normal estar mais feliz por partilhar mais tempo com parceiros e filhos e, ao mesmo tempo, não estar com tanta disponibilidade para estes encontros. “Há uma raiva que explode sem freio e sem
aviso prévio, há gritos que substituem o que antes seria uma prática de comunicação não violenta”, afirma.
“Há medo de não termos emprego, dinheiro, sustentabilidade, há medo por familiares e amigos que estão no grupo de risco.” 

Um mundo que desconhecemos
“Somos todas e todos recém-nascidos chorando um mundo que desconhecemos”, afirma o psicólogo. De acordo com ele, as paredes das casas de todas as famílias viraram “espelhos”. Será preciso ter coragem para olhar para esses espelhos. Para Alexandre Coimbra, o que enxergarmos nesses espelhos pode ser a grande diferença entre adaptar-se ou sucumbir ao que está por vir.

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