E agora?

Por José Luiz Datena

Hora de manter a calma e acreditar que essa peste horripilante passará logo. As notícias do fim do mundo começaram a melhorar no domingo, quando escrevo estas linhas: parece que a luz acesa vai espantar as trevas. Dizem que aqui, como aconteceu lá, ainda vamos enfrentar períodos difíceis e que muita gente pode morrer – espero que não. Cuidado e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.

Mas, da mesma forma que o medo do vírus que mata, há o medo de quem tem negócios pequenos que dependem do comércio diário para sobreviver e os que temem pelo emprego para fugir da fome, muitos informais. Aliás, pela injustiça social o Brasil já matou mais gente pelos milhões de desempregados na sua maior crise financeira da história no ano passado do que qualquer epidemia.

A doença chegou rápida e mortal, e temos de enfrentá-la; parar no meio do caminho é morte certa. Há que se encontrar o equilíbrio para salvar vidas e ao mesmo tempo não matar mais gente do que já matamos de fome. A pior fraqueza que existe é o conflito, e fazer isso politizando o vírus é caminhar para o abismo.

Quando se parte para um destino desconhecido, dizia um grande estadista, melhor levar no trem um vagão-restaurante, senão a fome é certa como a morte. A ciência pede prudência e aponta dias difíceis, mas já estamos acostumados a sofrer no Brasil. Filas de morte em hospitais não chegaram com o vírus, já estão aí na falta de leito dos hospitais públicos há anos. A morte nos ronda todo dia do lado de cá das armas malditas dos criminosos cruéis.  Uma coisa é certa: dias difíceis virão. Mas, para a grande maioria da nossa população, todo dia já é difícil faz tempo. Tomara que aqui soframos menos que nossos irmãos do mundo onde o coronavírus os igualou à nossa realidade diária de um país com poucos ricos e muitos pobres ou miseráveis.

Que DEUS seja bom conosco, com um povo que já sofre há séculos independentemente de pandemia. Haverá
mundo depois desta crise global, como sempre houve depois de tragédias épicas. Resta saber qual Brasil vai sobreviver, pois pior do que tem sido nos últimos cem anos parece impossível, porque aqui sempre vivemos o vírus da indiferença, e este mata mais que bala de revólver, como já dizia o mestre Adoniran Barbosa.

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