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Crise ainda pode voltar

Como previsto, o governo não teve a menor dificuldade em aprovar ontem a venda de ativos da Codemig – os chamados recebíveis – pelo prazo de 13 anos, ou seja, até 2032, na Assembleia. Na verdade e a menos que advenham daí ações de terceiros, a aprovação foi tranquila, por unanimidade, até porque o governo espertamente anunciou que esse dinheiro, cerca de R$ 4 a 5 bilhões, será usado para pagar o 13º do funcionalismo e colocar em dia o salário dos servidores, sendo pago no 5º dia útil, como ocorre na iniciativa privada. Isso, a conferir.

Houve um probleminha de última hora, quando o vice-líder do governo, Guilherme da Cunha (Novo) não gostou de alguns itens do relatório final do deputado João Vitor Xavier (Cidadania) e ameaçou uma rebelião, logo debelada. Nem seria diferente. O relatório não trazia nenhum comprometimento para o projeto, apenas resguardava algumas questões que poderão ser suscitadas no futuro, de forma que todo mundo votou a favor, até por que havia um certo consenso entre os deputados, até mesmo nos de oposição, de que o funcionalismo está sendo penalizado pela crise financeira do estado.

No ano passado, o governo Pimentel tentou algo parecido, quando tentou vender 30% das ações da Codemig, mas não conseguiu porque alguns deputados de oposição acionaram o Tribunal de Contas do Estado e ganharam lá o que foi entendido pelo mercado como um sinal amarelo. Com isso, o negócio não se concretizou e o governo passado amargou a perda de 1,5 bilhão de dólares, com o que poderia ter colocado o pagamento do funcionalismo em dia e entrado na disputa eleitoral com melhores condições de competitividade.

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Zema poderá se beneficiar ainda de um acordo que está sendo costurado via Supremo Tribunal Federal pelo qual as perdas da Lei Kandir, que devem dar a Minas Gerais mais de R$ 30 bilhões ao longo de 18 anos, com o que Minas teria novas condições para enfrentar a crise. E que crise é essa? Ora, Minas tem a sua economia fundada em dois grandes pilares: a mineração e o agronegócio, duas commodities cujo preço quem põe é o freguês e não o vendedor. Se Minas não mudar rapidamente o perfil de sua economia, passando a produzir mais semiacabados, por exemplo, ou industrializados, essa crise financeira vai voltar mais rápido do que se imagina. É só uma questão de tempo. Este é o desafio que se impõe ao governo Zema. O resto é perfumaria e bate-boca de deputados que querem a reeleição, em suma, demagogia.

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