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Uma verdade a cada dia

Na tentativa de encontrar respostas palpáveis, aparentemente concretas para tudo; no vício interno inconsciente de que é preciso achar uma “explicação” – que se mistura à limitação para notar o que uma explanação válida seria, a uma espécie de tique que leva a creditar como fundamentação somente discursos com quê de peremptórios e deterministas –, os tribunais da imprensa e da torcida condenam taxativamente a cada resultado isolado razoavelmente emblemático.

Duas das criaturas por quem tenho a maior admiração intelectual nesse mundo me alertam: “não critique com tanta frequência a imprensa neste espaço”. Primeira reação: lisonja por ser lido por pessoas tão qualificadas. Segunda: afirmar que, na medida em que a mídia tem a prerrogativa, o espaço, as ferramentas, os canais, o aparato tecnológico para influenciar mais diretamente nos debates que transformam cada área, ela deveria ser, sempre, a categoria menos corporativista que existe. Infelizmente, não é o caso. Não falo de apontar o dedo, citar nomes com assiduidade e pouca percepção. Não se trata de individualizar a coisa. Me refiro a uma espécie de exercício de autoanálise enquanto categoria que haveria de ser quase institucionalizado, parte destes manuais de redação que circulam por aí. Se há o bônus de influenciar na sociedade tendo o benefício da crítica, de receber para avaliar coisas pelas quais supostamente se tem apreço, deveria existir o ônus de não se tratar, enquanto classe, como intocável – ou quase isso. A velha pergunta: se a mídia critica todo mundo, quem critica a mídia?

Já disse aqui algumas vezes: está nítido desde o início do ano que o Cruzeiro montou elenco fortíssimo e, com o ótimo técnico que possui, tem condições totais de brigar por todos os títulos. A Raposa foi subestimada em diferentes momentos da temporada, exageradamente condenada em tempos recentes; de antemão, indago: qual vai ser a desculpa destes juízes para embasar uma provável boa campanha celeste? Qual o rodeio retórico vão achar para edificar a narrativa de que “algo mudou” e por isso as coisas deram certo?

Do lado do Galo, também candidatíssimo a tudo, por causa de uma atuação ruim – diante da Ponte –, e de uma pequena sequência de resultados negativos, diversos profissionais da “análise”, que até então elogiavam justamente um sistema bem escolhido, e algumas peças que claramente possuem excelente saldo em 2017, passaram a já cravar: Fulano e Sicrano precisam dar espaço para o Beltrano e o Joãozinho; ou então: “precisa-se contratar de qualquer jeito, impossível ser campeão com esse cara”! Sendo que, em algumas situações, não só os dois primeiros vinham extremamente bem, e destoaram naturalmente, como com todos acontece, em um joguinho apenas, como os dois últimos vinham entrando mal e, pontualmente, isoladamente, acertaram alguma coisinha. Suficiente para pedir a troca? Claro que não! Mas na cabeça de quem se sente obrigado a dar uma “resposta”, um “veredito” a cada dia…

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