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O Inter escancarou sua falta de convicção

Esse departamento de futebol do Inter não tem convicção. O diretor de futebol Roberto Melo escancarou isso no último sábado, em Belém. Pouco antes da partida, creditou às sucessivas trocas de técnicos do ano passado uma das razões para o fracasso. Disse mais. Reiterou que o trabalho da comissão técnica estava sendo bem feito. Rechaçou, de forma veemente, a possibilidade de mudança de treinador. E disse não entender tanta pressão, sustentando estranheza à insistência de perguntas sobre essa questão. Quatro horas depois, a decisão tomada foi na contramão desse discurso. Zago estava demitido.

A postura de Melo pode ser consequência de sua pouca experiência. Ou do momento turbulento do time. O trabalho de reestruturação do vestiário foi bem realizado. Mas os resultados teimam em não aparecer no futebol da equipe. O Inter desperdiçou uma chance rara de chegar ao heptacampeonato regional. E começa a Série B sem atuações convincentes.

A decisão de trocar o treinador foi, provavelmente, acertada. Mas a falta de convicção que há no departamento de futebol é preocupante. Os dirigentes colorados vinham respaldando o trabalho de Zago, mesmo que o time tenha apresentado pouca evolução desde o começo da temporada. Agora, passados cinco meses, o clube conclui que escolheu o nome errado. Roberto Melo perdeu tempo e arranhou seu crédito nesse atabalhoado processo.

E então chega Guto Ferreira, nome que este colunista respaldava desde dezembro. Foi anunciado depois de um constrangedor desaparecimento dos dirigentes, desde sábado, evitando explicar a mudança na comissão técnica. Aliás, essa prática de desaparecer em momentos delicados é ultrapassada e evidencia instabilidade. Sobre Guto: conhece o clube, conhece os jogadores, conhece a competição. Longe de ser um medalhão, já tem experiência suficiente para encarar este momento. É um técnico que está amadurecendo sua carreira. Precisará, portanto, de apoio e de dirigentes experientes para uma rotineira troca de ideias. Aliás, esse tem sido um problema na dupla Gre-Nal. Os treinadores não têm com quem conversar no mesmo nível de conhecimento sobre futebol, esquemas táticos, jogadores, adversários. Muitas vezes é por isso que não são cobrados.

Ao contrário do ofensivista Zago, Guto gosta de times que marquem muito. E esse tem sido um problema do Inter. A marcação é falha, especialmente na primeira linha do meio-campo. O Inter não tem pegada nesse setor; costuma ser frouxo. Há problemas sérios também na bola aérea defensiva. E a direção não conseguiu contratar uma reposição para as ausências de D’Alessandro. Além desse reforço, o clube precisa de um zagueiro central, preferencialmente um bom cabeceador e que imponha maior rigidez aos atacantes adversários.

Entenderam? O Inter precisa de um jogador que seja dono da sua grande área. Não há este atleta no Beira-Rio.

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