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Bianchini pede para sair

carlos-lindenberg-colunistaA decisão do coronel Marco Antônio Badaró Bianchini, de deixar o comando geral da Polícia Militar, ontem, pegou o governo de certa forma de surpresa. É verdade que o ainda comandante da PM já cumpriu o tempo dele na tropa, mas o pedido de dispensa, feito terça-feira ao governador Fernando Pimentel, mesmo que justificado como uma decisão de cunho pessoal, ocorre num momento delicado para o governo. Dentro de poucos dias, após o recesso do Congresso, o governo federal vai voltar a procurar os governadores para saber se eles querem ou não a renegociação da dívida com a União.

O problema é que o governador Fernando Pimentel não aceita as condições impostas pelo ministro Henrique Meirelles. Essas imposições implicam, entre outras coisas, na proibição aos Estados de fazer novos concursos públicos, de promover servidores, de não dar reajuste pelos próximos dois anos, assim como obrigam o aumento da contribuição previdenciária dos servidores de 11% para 14% e forçam a venda de ativos dos governos estaduais.

Em troca, os Estados poderão ter uma moratória de três anos, alongar o perfil da dívida para mais 20 anos e ainda obter alguma coisa na redução da taxa de juros. Ocorre que o governador Pimentel não quer dar essas contrapartidas exigidas pelo ministro, até porque ele considera que elas não resolvem inteiramente a questão financeira, adia a solução. E foi com esse argumento que o governo impediu a eclosão de uma greve das forças de segurança do Estado em dezembro – e nesse sentido o coronel Bianchini teve papel importante porque conseguiu de alguma forma apaziguar a tropa como avalista da promessa do governador.

Agora, com a volta das negociações, já que Temer vetou parcialmente o projeto aprovado pela Câmara dos Deputados que expurgam as contrapartidas, parece haver uma relação próxima entre o desgaste do coronel para segurar a tropa e a sua própria condição de já ter cumprido seu tempo de serviço e de querer agora passar o posto a outro, no caso, o coronel Herbert Figueiró, atual chefe do Gabinete Militar do Governador e indicado pelo próprio Bianchini para sucedê-lo.

Antigo ajudante de ordens de Pimentel. Por fim, o governo mineiro estranhou a decisão da ministra Carmem Lucia, presidente do Supremo Tribunal Federal, de negar liminar ao pedido para que o Banco do Brasil libere o dinheiro proveniente dos depósitos judiciais, retido por conta de artifícios contábeis e que fazem falta, claro, ao caixa do tesouro estadual. É R$ 1,2 bi, o que não é pouco, menos ainda quando a própria ministra liberou liminarmente também quantia quase equivalente, mas de outra origem, ao também combalido Estado do Rio de Janeiro. Se as dificuldades são as mesmas por que o tratamento é diferente?

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