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Como parar o ‘Fora Temer’

carlos-lindenberg-colunistaAs solenidades do 7 de Setembro certamente não foram como o presidente Michel Temer imaginava. Cercado de cuidados, um deles a dispensa da abertura do desfile em carro aberto e sem usar a faixa presidencial, um dos símbolos do Poder, o presidente ouviu o clássico “Fora Temer”, que se repetiu à noite na abertura dos Jogos Paralímpícos, no Maracanã, e em mais 42 cidades de todo o país. Não é pouco, mesmo que os números sejam poucos confiáveis. O problema é que Temer está de alguma forma cercado pelas ruas. Na abertura da Bienal, em São Paulo, por exemplo, também se ouviu o “Fora Temer”, de forma que o presidente está começando a pisar num terreno minado, embora a sua praia mesmo seja o Congresso Nacional, que domina com alguma alquimia, mas onde não parece correr riscos, pelo menos por enquanto.

Para evitar que o persistente “Fora Temer” se espalhe e contamine parcelas da opinião pública onde sua avaliação é menos delicada, na classe média, por exemplo, ou onde se concentram ainda os bolsões de reação contra a ex-presidente Dilma e o PT, Temer vai ter que tomar algumas providências ou criar alguma estratégia para, pelo menos, poder circular pelo país. O problema é que seu governo vai ter que tomar as medidas impopulares que o PSDB, sobretudo, lhe impõe, como a reforma da Previdência, para não ir mais longe. Ora, com essa resistência já verificada ao longo de manifestações que se arrastam por mais de uma semana, o que fazer?

A primeira ideia que parece ocorrer ao governo é no mínimo simplista: uma campanha de propaganda para mostrar à população que Temer também teve a sua “herança maldita”, a mesma que Lula disse um dia que recebeu de Fernando Henrique. Isso não é o bastante. Não há boa propaganda quando o remédio é ruim, sabe-se. Também não é menosprezando a rejeição que se consegue sair dela. Nesse sentido, aliás, é pacífico que Temer errou ao avaliar, da China, que as manifestações que aconteciam no Brasil contra ele eram coisa de poucos gatos pingados. Não eram. Resta ao governo, agora com um novo problema, ou seja, a inclusão de mais um de seus ministros, Geddel Lima Vieira, no rol de suspeitos de envolvimento no escândalo dos Fundos de Pensão, buscar uma saída que passa, necessariamente, pela retomada do crescimento e pela volta do emprego. Sem isso, a situação de Temer tende a piorar. Não há propaganda que convença um desempregado que a vida dele melhorou ou vai melhorar se no dia seguinte ele não tiver o dinheiro para ir à padaria. Não mudando isso, o “Fora Temer” tem tudo para continuar. E pode piorar, a depender do que acontecerá no julgamento do deputado afastado Eduardo Cunha, segunda-feira.

Carlos Lindenberg é jornalista, colunista do Metro Jornal e comentarista da TV Band Minas. Escreve no Metro Belo Horizonte.

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