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Olha o trem!

colunista  jose-luiz-datenaAs críticas vão crescendo no país diante da aprovação,  no Congresso, do aumento salarial de 16 categorias de servidores públicos, para o qual se empenhou o presidente Temer. O argumento  é simples: como dar um aumento desses, quase 60 bilhões de impacto no orçamento até 2019, quando a prioridade é fazer ajuste, cortar gastos? Boa pergunta, mas daí sai outra: tem aumento de imposto no horizonte?

Michel Temer pode ficar falando sozinho, se tentar defender mais esta agressão ao bolso dos contribuintes. Mesmo porque conseguir apoio para dar aumentos nunca foi muito difícil entre os nossos parlamentares – geralmente inspirados na irracionalidade no trato das contas públicas. Mas, depois disso,  vir com aumento de impostos outra vez?  Era só o que faltava. Pode ter certeza de que, agora,  a resistência a essa ideia absurda cresceu no país. Afirmo: o povo não aguenta mais pagar imposto. Chega.

Não vou discutir aqui a situação dos servidores em geral. Sei que a maioria ganha pouco, enquanto não faltam aqueles que mamam nas tetas do Estado em condições de privilégios mais do que conhecidos. Mas quero falar da crise que exige, neste momento, duros sacrifícios de empresas e trabalhadores.

Uma crise que já tirou o emprego de 12  milhões de brasileiros. Enfim, um momento da vida do país em que a ideia mais sensata – e inevitável – é cortar gastos, fazer o ajuste. O tal ajuste fiscal que está aí há décadas para ser feito e que agora chegou a um ponto em que não dá mais para adiar.  Seria a hora de os políticos, os donos do poder, abrirem mão da velha demagogia de sempre e partir para uma ação racional de uma vez por todas. Mas lamento dizer que não é esse o exemplo que vem agora do presidente Temer.

Ele foi fraco, rendeu-se às pressões e chantagens de sempre. Mais uma vez a demagogia triunfou neste episódio lamentável, uma prova de total desprezo pelas contas públicas. Dificultou mais, com esses aumentos,  o desafio que tem pela frente – e precisa ter coragem – de enfrentar e  vencer o desequilíbrio fiscal estrutural, o ponto fundamental e mais grave da tragédia que foi o governo Dilma.

jose.datena@metrojornal.com.br

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