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Colunistas 07/06/2016

Escreva com a hashtag #APersistênciaDoAmor

rubem-penzEsta é uma crônica-proposta. Ou crônica-desafio. Também poderia ser descrita como sendo uma crônica-pedido-de-socorro. Minha primeira confessadamente a convocar a participação dos leitores em uma causa – por casualidade, a causa do amor. Explico:

Nestes tristes dias, há muito desamor preso nas malhas das redes sociais. E “desamor” pode ter outras faces, tais como intolerância, desrespeito, ódio, preconceito, vingança, raiva, sectarismo, polarização… Tudo leva para a agressão quando, em verdade, visões diferentes de mundo são fundamentais até mesmo para a composição dos afetos. Onde há pensamento único, há opressão, nunca ternura. Por isso, hoje – sempre? –, cultivar o amor é, também, um ato de resistência cidadã.

Assim, inspirado na proximidade do Dia dos Namorados, convido os leitores desta coluna a conversar com seus pais ou avós (vale dindos e tios, também) e pedir para que eles contem como começaram seus namoros. Bem simples: como se conheceram, em que circunstâncias, quem tomou a iniciativa. Se tiveram desafios a superar, se alguém serviu de cupido, se havia sempre “chás-de-pera” os acompanhando. Quais encantos estavam envolvidos? Façam com que se recordem de como começou o amor e resgatem a emoção capaz de construir destinos. Aposto que virão passagens repletas de graça; felizes e divertidas recordações.

Depois, por favor, escreva essa pequena história com suas próprias palavras – experimente a delícia de compor um singelo texto de amor. Aí, publique nas redes sociais ilustrando com uma foto deles (pode ser de casamento, de namoro, da viagem de lua de mel). Uma espécie de tributo ao encontro, uma homenagem, um presente. Por fim, marque isso com a hashtag
#apersistenciadoamor, pois, ser persistente é acreditar que o amor se constrói com devotado empenho.

Preciso confessar que a expressão “a persistência do amor” não surgiu do nada. Nasceu na mesa da oficina literária Santa Sede para batizar o livro homônimo que lançaremos em breve, baseado na obra de Paulo Mendes Campos – grande cronista mineiro radicado em areias cariocas nos meados do século 20. Na crônica “O amor acaba”, Mendes Campos relata dezenas de momentos em que o mais nobre dos nossos sentimentos fenece “para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto”. Escrevendo, recomeçamos a amar o tempo inteiro.

Bom, fica o convite: persistam conosco! Escreva a história de amor e publique na rede social. E ofereça a todos como um mimo de Dia dos Namorados.

Rubem Penz é escritor, músico, publicitário, baterista e compositor. Autor de “Enquanto Tempo” e coordenador da oficina literária Santa Sede crônicas de botequim. Seu site é rubempenz.net