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E se Dilma voltar?

diego-casagrande-colunistaAntes de mais nada, deixem-me ser claro: acredito piamente na nossa capacidade de, estando no fundo do poço, continuarmos cavando. A história nos mostra que a excessiva resignação e leniência dos brasileiros em limparem a casa sempre pode deixar as coisas piores do que estão. Se há um componente cultural nefasto nesta terra é nossa incapacidade de dizer “basta!” Este jeito todo brasileiro de ser e de aceitar tudo, não raro, se torna conivência. Depois de tudo o que Dilma Rousseff fez ao Brasil e ao povo brasileiro, a possibilidade de ela retornar não deveria ser sequer cogitada em pensamento.

Michel Temer nem completou um mês e a sensação que temos é que a cada dia uma nova bomba estourará no colo dele. Crises políticas e econômicas sem fim. Em tempos de Operação Lava Jato ninguém nomeia um Romero Jucá impunemente. Ninguém nomeia para um Ministério da Transparência alguém que há três meses conspirava com Renan Calheiros formas de liquidar a maior e mais importante operação brasileira da história. Tudo tem seu preço e Temer já está pagando o dele por colocar figuras suspeitas em postos-chave. Quem não tem bandidos de estimação exige limpeza ampla, geral e irrestrita. Ocorre que daí a querer liquidar o governo Temer já na saída há uma grande, oceânica diferença.

No fim de semana, a opinião de um leitor publicada em um jornal brasileiro era reveladora da questão colocada. “Muitos brasileiros não votaram em Michel Temer, mas torcem para que ele faça um bom governo. Petistas votaram em Temer, mas torcem e farão de tudo para que ele faça um péssimo governo. Muitos brasileiros querem que Temer tenha sucesso em seu governo, para o bem do Brasil. Petistas querem o seu fracasso, para o bem do seu partido. Entenderam a diferença?” Cristalino raciocínio de como funciona o petismo.

Mas e se Dilma voltar? É improvável, mas… o Brasil virará um filme de terror, daqueles padrão Venezuela. Sem nenhum crédito com a ampla maioria dos brasileiros, sem base parlamentar, colocada como achacadora por Marcelo Odebrecht e como sabedora de todo o negócio de Pasadena por Cerveró, não existe a menor chance de um governo Dilma novamente. Se acontecer, será “nitroglicerina pura”.

No fundo do poço já estamos. Agora é saber se continuaremos cavando.

Diego Casagrande é jornalista profissional diplomado desde 1993. Apresenta os programas BandNews Porto Alegre 1a Edição, às 9h, e Rádio Livre, na Rádio Bandeirantes FM 94,9 e AM 640

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