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Recomeçar, com suavidade. À sueca, para ser sério

xico1-vargas colunistaNa dura crise fiscal e orçamentária que o Governo do Estado do Rio atravessa, duas notícias animam a enfrentar o cenário de horror, com salários atrasados, serviços básicos paralisados, décimo terceiro de servidores ameaçados: o anúncio do corte do aluguel de automóveis que servem ao poder executivo e a iniciativa do secretário estadual de Transportes, Carlos Osório, de fazer uma viagem de metrô entre a estação Largo do Machado, próxima ao Palácio Guanabara, até a estação Carioca, em frente ao centro administrativo estadual, é um alento.

Um dos maiores problemas dos orçamentos dos estados é que se gaste mais recursos para manter a máquina funcionando do que investindo em ações diretas em benefício da população. Na iniciativa privada, a isso se chama gastar demais com a atividade meio e investir de menos na atividade fim. Carros alugados para servir ao poder executivo é despesa com atividade meio, em uma administração cujo déficit orçamentário exige mais do que nunca esforços para manter funcionando as atividades fim.

Quando Osório faz o curto trajeto entre as estações do Largo do Machado e da Carioca de metrô, põe no trilho uma prática saudável, comum em diversos países europeus. Comporta-se como um secretário a serviço do público, e não apenas como alguém cujo cargo executivo se transforma em privilégio em relação aos outros cidadãos fluminenses. Com a redução dos salários da cúpula do Estado, imbica-se no rumo de, quem sabe um dia, chegar mais perto de países como a Suécia, onde deputados e vereadores não ganham salário, políticos frequentam transportes públicos, e ministros e prefeitos não têm direito a privilégios como apartamento funcional, residência oficial ou qualquer tipo de deferência pelo fato de estarem no poder, como revelou recentemente a jornalista Claudia Wallin no livro “Um País Sem Excelências e Mordomias” (Geração Editorial). Em compensação, ou por isso mesmo, a Suécia é um país com o menor índice de desigualdade do mundo e de mais baixo índice de corrupção.

Falta muito para o Rio chegar lá, mas uma crise grave como a atual e pequenos gestos como o de Osório podem levar o Estado a um pioneirismo não apenas bem-vindo, como necessário. Herdeiro de estruturas inchadas desde o tempo em que era Distrito Federal, problema agravado depois da fusão com o antigo Estado do Rio, o estado é marcado por desigualdades sociais, raciais, econômicas e principalmente regionais importantes. Pode encontrar na crise financeira uma oportunidade única de se reinventar.

O jornalista Xico Vargas mantém a coluna ‘Conversa Carioca’, de segunda à sexta-feira, no jornal ‘BandNews Rio 2a edição’, além da coluna ‘Ponte Aérea’ em xicovargas.uol.com.br.

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