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Já ganhamos

antonio-carlos leite colunista Quem conhece a obra de William Shakespeare sabe de uma de suas passagens mais brilhantes: o discurso de Henrique V antes da Batalha de Azincourt. As tropas inglesas, após uma campanha estafante, se depara com os soldados franceses, altivos, poderosos e em número muito maior. Henrique havia passado a noite em claro, temendo a sorte de sua gente. Mas amanhece revigorado. E Shakespeare traduz esse vigor no belíssimo “Discurso de São Crispim”, porque a batalha foi travada no dia do santo. Henrique diz a seus comandados como eles se sentirão honrados por participarem daquele combate. Não por conta de uma vitória, jamais citada, mas porque valeu a pena a luta, valeu a pena encarar a tarefa, simplesmente por encará-la.

Algumas missões valem mesmo a pena serem encaradas. Não por conta do sucesso incerto, mas porque valeu a pena cumpri-las. Vivemos isso diariamente na Redação. E algumas recompensas surgem. Como há poucos dias, quando os organizadores do Prêmio Findes de Jornalismo divulgaram os finalistas de 2015. A intenção da Federação das Indústrias do Espírito Santo é premiar os principais trabalhos jornalísticos feitos no Estado ao longo do ano em várias categorias. Na Redação, a relação foi festejada. Duas de nossas repórteres estão entre os finalistas: Gabriela Martins concorre ao prêmio de melhor reportagem para TV com a série “Água: riqueza que brota da terra”, sobre a necessidade de preservação de nossas nascentes para aumentar o volume de nossas bacias hidrográficas. Coordenada por Luciane Freitas e muito bem conduzida por Gabi, a série é também a demonstração de uma linha de jornalismo a ser aprofundada no próximo ano pela equipe da TV Capixaba: reportagens aprofundadas sobre temas relevantes.

Esse também foi o norte  do trabalho de Priscilla Thompson, “O pó nosso de cada dia”. O tema, infelizmente, há anos faz parte do dia a dia dos moradores da Grande Vitória. Mas Priscilla o abordou de modo pouco usual e mostrou, por exemplo, como o pó preto, tão constante quanto irritante, determina não só a rotina das pessoas como até mesmo as linhas arquitetônicas da cidade, com a obrigatoriedade de as varandas serem fechadas e a opção dos arquitetos pelas cores escuras nos revestimentos dos prédios justamente para tentar contornar a sujeira provocada pela poluição – um inaceitável nível de intromissão das empresas  poluidoras na vida privada dos cidadãos.

As indicações coroam o trabalho de uma Redação aguerrida. Ganhar o prêmio seria gratificante, mas não é o mais importante. Válido mesmo é saber que estamos começando a escrever uma nova etapa do jornalismo, usando experiências anteriores, como ocorre na TV, e ousadas como acontece com o Metro. E daí, daqui a algum tempo, quem participar efetivamente dessa tarefa poderá ter orgulho de dizer que dela participou. Como fizeram os vitoriosos homens de Henrique V…

Antonio Carlos Leite é jornalista há 28 anos. É diretor de Redação  do Metro, diretor de Jornalismo da Sá Comunicação e escreve às sextas-feiras neste espaço.

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