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O Estado que morreu de câncer

diego-casagrande-colunistaPerdi a conta do quanto alertei que o Rio Grande do Sul estava indo para o cadafalso. Pois foi. O Estado é agora um corpo que se estrebucha pendurado pelo pescoço. Não que eu seja visionário, oracular ou pitonisa. Eu sou é minimamente lógico, coisa que não é bem vista por aqui. Em nosso Estado privilegiamos os emocionalismos pueris, os teatros políticos fraudulentos e os sofismas de oportunistas. Tudo em detrimento da razão, da discussão séria, da seriedade. O resultado está aí.

Quando Tarso Genro, o mais irresponsável gestor que já pisou no Piratini em décadas, usou mais depósitos judiciais que Rigotto e Yeda juntos, criou uma estatal de pedágios – a EGR – e concedeu reajustes impagáveis ao funcionalismo público até 2018, o roteiro da falência estava pronto. O que era um feijão sem tempero virou feijão azedo. Eu há muito entendi, mesmo que tenha sido um mau aluno em matemática, que esta é a ciência imbatível. Quem tenta inventar quebra a cara.

O quase colapso – ainda vai ficar bem pior – das contas públicas se deu na sexta-feira quando o governo anunciou o parcelamento de salários. Acabou o dinheiro. 52% dos ativos do Executivo receberam em dia. Em 13 de agosto serão 71% com os contracheques em dia. O restante, acima de R$ 3.150 mensais, só em 25 de agosto. O deficit chega a R$ 5 bilhões anuais e as fontes extras de rolagem (depósitos judiciais, endividamento, etc.) acabaram.

Se fosse na iniciativa privada, parte do quadro seria demitido para manter a saúde da empresa. Uma gestão profunda de reenquadramento de funções seria adotada. Empresas em dificuldade adotam economia de guerra para enfrentar as crises. As que não conseguem ter esta visão e ser ágeis quebram e todos perdem seus empregos. O governo também perde porque deixa de arrecadar impostos. Mas no setor público sempre existiram coelhos na cartola, com a ilusão de que “o Estado não quebra”. Quebra sim. As fontes de água límpida e cristalina que volta e meia surgiam no deserto secaram.

A única maneira de o Rio Grande do Sul dar a volta por cima é cortando radicalmente privilégios de todas as áreas e poderes, além de mudar os planos de carreira mexendo em aposentadorias precoces por tempo de serviço. Vender estatais, fechar fundações, etc, também faz sentido, mas é paliativo.

O que arrebenta o Estado chama-se Previdência Pública. Mas como ninguém quer mexer, como ninguém aceita que se mexa, o Estado morreu de câncer.

Diego Casagrande é jornalista profissional diplomado desde 1993. Apresenta os programas BandNews Porto Alegre 1a Edição, às 9h, e Ciranda da Cidade, na Band AM 640, às 14h. Escreve no Metro Jornal de Porto Alegre

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