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Onde a vítima vale mais que o bandido

diego-casagrande-colunistaDas muitas coisas admiráveis nos Estados Unidos, uma se destaca: lá as pessoas, a comunidade e as instituições lutam diariamente para que todos sejam, de fato, iguais perante a lei. Esta é a verdadeira igualdade que socialismo nenhum, em lugar algum onde já foi implantado, conseguiu até hoje. Mas nos Estados Unidos capitalista eles conseguiram. Um bilionário como Bernard Madoff pode levar milhares à bancarrota com uma fraude financeira gigantesca? Pode. Mas pagará por isso. Aos 71 anos, ele foi condenado a 150 anos de prisão e vai passar o resto de seus dias na cadeia. Em fevereiro quando estive lá assisti a entrevista de Mark Chapman, o assassino de John Lennon em 1980. Ele está preso há 35 anos e foi a 8ª vez que as autoridades penitenciárias de Nova Iorque negaram-lhe a liberdade condicional. A regra é que não exista jeitinho, nem dó, nem pena. Bandidos, sejam assassinos frios ou fraudadores desalmados, devem enfrentar os rigores da lei. Thomas Jefferson, um dos pais daquela grande pátria já dizia que eles só seriam uma grande nação se a lei valesse para todos. Parece que conseguiram. Eventuais exceções não negam a regra. E as penas são duramente proporcionais ao dano cometido.

Dzhokhar Tsarnaev, 21 anos, acaba de ser condenado à morte em Massachusetts pelo júri popular composto por 12 pessoas. Ele e o irmão protagonizaram um episódio infame: o atentado à bomba na Maratona de Boston. Três pessoas morreram, entre eles Martin Richard, um menino de 8 anos que estava feliz da vida na plateia. Outras 17 pessoas tiveram pelo menos uma perna amputada e mais de duzentas ficaram gravemente feridas. Eles ainda mataram a tiros o segurança de uma universidade dias depois do ocorrido.

Sabe-se lá o que realmente se passou na cabeça destes jovens chechenos, fanáticos religiosos, que 10 anos antes haviam migrado, tendo sido lá acolhidos pela comunidade e estudado em boas escolas. Isso não importa para um país que faz valer a lei. Fosse aqui, teriam uma horda de defensores em programas de tv e até no Congresso. Dzhokhar será amarrado em uma cama especial e executado com injeção letal. Os familiares das vítimas poderão assistir.

Tão importante quanto penas duras para crimes graves é saber que elas serão cumpridas, que não haverá progressão de regime, indultos de toda ordem e falta de vagas nos presídios. E sobretudo, que as vidas das vítimas valem mais que as dos bandidos.

Diego Casagrande é jornalista profissional diplomado desde 1993. Apresenta os programas BandNews Porto Alegre 1a Edição, às 9h, e Ciranda da Cidade, na Band AM 640, às 14h. 

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