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Colunistas 29/04/2015

A culpa é do PT!

fernando-carreiro-colunistaEnquanto o PT continuar insistindo no populismo e em cortejar uma parcela da sociedade em detrimento dos interesses da maioria dos brasileiros, o governo da presidente Dilma continuará descendo ladeira abaixo o precipício que culmina com a vitória da oposição – e de aliados que, veladamente, fazem muito bem o papel de opositores. O PT precisa entender, antes que o sol que nasceu para ele em 2002 se ponha, que não ajuda à presidente locupletando-se em discursos que prestam desserviço ao país. Em vez de convocar uma minoria de sindicalistas para ir às ruas em defesa da Petrobras, deveria convocar o Brasil inteiro para discutir novas propostas e soluções. Em vez de defender aliados envolvidos em corrupção, deveriam afastá-los do seio do partido, discutir uma nova agenda com filiados e apresentar à sociedade uma nova forma de fazer política. Mas, não: o PT prefere alçar o punho em sinal de resistência e sustentar um debate inócuo e revanchista com os partidos de oposição; prefere dar lugar ao pragmatismo político e terceirizar o governo para aliados e não rediscutir uma nova forma de governar para todos – bandeira antiga da sigla, que se perdeu junto com a identidade partidária que tanto orgulhava seus companheiros. PT e presidente vivem em pé de guerra – quando o partido deveria dar sustentação à mandatária mais importante de seus quadros. A última batalha foi pela administração da página da presidente da República no Facebook, que deveria ficar a cargo da Secretaria de Comunicação da Presidência. A própria presidente Dilma pediu que a Secom tomasse conta de seu perfil. Batalha perdida para o PT, que precisa entender que partido e governo são coisas absolutamente distintas. O primeiro é o canal para se chegar ao segundo, formado, por sua vez, pelo presidente, seu vice e uma extensa base aliada. Esta, a saber, segue descontente. Fica cada dia mais latente a já desgastada relação com o PMDB, que não aceita mais ser coadjuvante de um projeto de poder. A presidente, ao saber da prisão do tesoureiro João Vaccari, questionou ao PT por que ele ainda não havia sido afastado, e recebeu como resposta um curto e grosso recado de que o assunto era estritamente partidário. Um desconvite ao seu envolvimento com assuntos do PT. Mas o contrário sempre pode, pelo que se vê. O governo da presidente Dilma só vai decolar quando o PT entender que missões, posições e espaços entre governo e partido, embora quase sempre sobrepostos, são distintos. Hoje, o PT está mais para oposição, que para governo.

Fernando Carreiro é jornalista especializado em comunicação eleitoral e marketing político.