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Colunistas 23/04/2015

Um bom exemplo

carlos-lindenberg-colunistaNão causou boa impressão a sanção da presidente Dilma Rousseff ao projeto que destina aos partidos políticos do país quase R$900 milhões. Mas o que pouca gente sabe, até porque essa informação é quase sempre sonegada, é que esse dinheiro faz parte do Orçamento da União, aprovado pelo Congresso e sancionado pela presidente da República. Ou seja, foi o Congresso que destinou exatos R$867,5 milhões para os partidos, cabendo ao relator do Orçamento, o senador Romero Jucá (PMDB) passar essa verba de R$289,5 milhões para os quase R$90 milhões. “Um escárnio”, tuitou o ex-ministro Joaquim Barbosa, sempre mirando os partidos políticos, cujas atividades o incomodam tanto. Caberia à presidente Dilma a decisão de sancionar o Orçamento ou vetá-lo. Como o mar não está para peixe, a presidente sancionou, ou seja, aprovou. Mas avisou que iria contingenciar parte dos recursos, isto é, iria aprovar mas segurar um pedaço do dinheiro que irá para os partidos políticos – uma fonte inesgotável de corrupção, como se tem visto.

Coube ao vice-presidente Michel Temer, presidente nacional do PMDB, dar uma boa ideia para segurar um pouco a gastança partidária. Alertado pelo relator da matéria – o que elevou em quase três vezes o dinheiro dos partidos, Romero Jucá, de que a presidente não pode contingenciar o chamado Fundo Partidário – Michel Temer sugeriu que o PMDB devolvesse para os cofres da União 25% da parte que lhe caberá. Sem dúvida, um bom exemplo, para ajudar a segurar as contas da União, já às voltas com a necessidade do ajuste fiscal. Seria uma boa hora de os partidos políticos, todos eles, sem exceção, fazer o que Temer sugere ao seu próprio partido: devolver 25 % da parte que lhes cabe nesse latifúndio financeiro. Farão isso? Há dúvidas. Há partidos que só existem porque o Fundo existe. E outros só são criados para se beneficiarem do Fundo e com ele fazer negócios. O que só contribui para que os partidos sejam cada vez menos apreciados pelo eleitor. Mas, enfim, está um bom exemplo, o sugerido por Michel Temer.

Carlos Lindenberg é jornalista, colunista do Metro Jornal e comentarista da TV Band Minas. Escreve no Metro Belo Horizonte.