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Colunistas 22/04/2015

TV e futebol

cadu done colunista metroNos bastidores da imprensa, do futebol; nas mesas de bar compostas pelos mais inflamados torcedores, há muito tempo já se afirma: as TVs detentoras dos direitos de transmissão costumam ter poder descomunal sobre os campeonatos pelos quais desembolsam quantias cada vez mais hercúleas, inflacionadas. Entretanto, a despeito de esse fato ser amplamente difundido no senso comum, conhecido por relevante parte da população portadora de um nível minimamente razoável de acesso à informação, no “mundo oficial” do esporte bretão, o tópico sempre foi tabu. Vocês sabem… Eufemismos, hipocrisia, rodeios retóricos, versões incontáveis do “me engana que eu gosto” são regras no planeta, em todos os segmentos. Política, relações familiares, de trabalho… É da condição humana. E, óbvio, não seria no podre ambiente do futebol que a sinceridade reinaria, que a transparência seria alastrada a torto e a direito. Pelo contrário. Se há um setor particularmente envolto em instransponíveis cortinas de fumaça, como diriam por aí, o futebol “não serve”. Afinal, nele, a obscuridade é tão grande que está em outro patamar. E personagens – atletas, jornalistas, dirigentes, políticos… – dispostos a cometer sincericídio – ajudando a clarear pelo menos um pouquinho o cenário – não são encontrados em toda esquina.

Não se trata de demonizar nem de absolver as TVs. Falando da Globo, especificamente – por ela ser detentora, atual e histórica, de quase tudo no que se refere às competições nacionais –, entre benefícios e prejuízos trazidos pela emissora aos clubes, ao futebol, os primeiros são bem mais numerosos. Trata-se de uma empresa altamente organizada; em geral, competente; melhor do que as concorrentes na maior parte dos aspectos – e em termos éticos, diria, no que tange aos canais abertos, no mínimo nada inferior a eles; ao contrário do que muitos teóricos da conspiração juram, trata-se de uma organização que, no todo, não tem a menor intenção de agir com má-fé dentro do futebol; e, para completar, que investe pesado, difunde as marcas de forma sem igual, paga quantias mais do que justas – não me refiro aqui à partilha do dinheiro entre as agremiações, nada correta na minha visão –  e que ajudam bastante a estruturar os clubes – sem falar no auxilio já concedido nos bastidores para organizar nosso calendário.

Passando para o lado negativo, apesar de reconhecer que ela merece ter ótima dose de autonomia para escolher dias e horários dos confrontos – afinal, paga bem –, penso que, aqui e ali, poderia ser mais flexível, pensar menos na grade, e mais nos aspectos esportivos e societários que envolvem o futebol; em suma, no público, nos atletas, na cultura de arquibancada… Nesse sentido, ao menos manifestar-se mais claramente defendendo que o clássico, no sábado, se mostraria mais razoável – e não apenas dizer que aceitaria a mudança se o Atlético também topasse, coisa que, obviamente, não aconteceria –, seria justo, inteligente.

Cadu Doné escreve no Metro World News de Belo Horizonte