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Colunistas 22/04/2015

Inter com reservas? Grêmio favorito

leonardo-meneghetti-colunistaO Inter jogou a maioria dos jogos do Gauchão com o time reserva. Então por que colocaria os titulares agora?  Se o clube imagina que a participação dos titulares nas finais possa causar algum prejuízo na Libertadores então é coerente que coloque em campo os reservas. É importante, entretanto, que esteja pronto para as consequências. A primeira delas indica que as chances de o Grêmio chegar ao título aumentam consideravelmente.

Sim, isto mesmo, apesar do equilíbrio que sempre cerca uma decisão de título ente a Dupla, eu ficho o Grêmio como favorito diante do time B do Inter. Mas não é apenas por esta opção vermelha de preservar seu time principal. É uma questão de foco, de concentração. O Grêmio por completo se dedica ao campeonato. Tratou publicamente o torneio regional como sua Copa do Mundo. A retomada da hegemonia local é pilar da gestão do presidente Romildo Bolzan Júnior.

Para o Inter, ganhar o Gauchão teria pouco significado. Lá na frente, ao final do ano, até poderá ser incluído no balanço do ano, para ver quem foi o menos pior da aldeia. E há outra peculiaridade nesta final, coisa típica do nosso quintal. Esta será a primeira final de campeonato no novo Beira-Rio. O Grêmio tem a chance de entrar para a história: pode ser o primeiro campeão na casa do rival. Assim como o Inter foi o último a levantar taça no Estádio Olímpico.

Mas estas são questões menores, que farão parte da flauta nas esquinas e bares da cidade. Entram para a história, mas, na prática, têm pouca relevância.

Além de um provável enfraquecimento do adversário, do foco e da mobilização exclusivos no Gauchão, o Grêmio conta com Felipão nesta final. Ele sabe o que o título representa neste momento para o clube. Usará de todos recursos para bater o rival. Felipão usa bem o regulamento em torneios eliminatórios. E sabe que o jogo para encaminhar a conquista será este primeiro, na Arena. Tem a vantagem também de ter dado a seu time um padrão de jogo, alcançado com a sequência de jogos. O Grêmio não tem um baita time. O limite talvez seja mesmo o regional.

O Inter está numa semana de evidente foco na Libertadores. Está embalado por sua melhor atuação do ano, quando foi exuberante, contra a La U, no Chile. Agora, a concentração é total no jogo de hoje, contra o The Strongest. Ou seja, terá apenas três dias de foco no clássico. E, com êxito hoje, permanecerá com o olhar atento às oitavas, logística de viagem, montagem de time, análise do adversário.

Não é impossível que o Inter conquiste o título com os reservas. Também não será inédito. O Grêmio já fez isto em 1995. Mas é bem mais difícil. Afinal, os reservas também estão focados na Libertadores. Querem, de verdade, estar lá, no time A, disputando a principal competição da temporada para o clube. Neste momento, um eventual título gaúcho arrancaria no máximo um sorriso do presidente Piffero e um happy hour sem excessos dos torcedores. A prioridade, com juízo, está na América.

Jornalista esportivo desde 1986, Leonardo Meneghetti foi repórter de rádio, TV e jornal e está no Grupo Bandeirantes desde 1994. Foi coordenador de esportes, diretor de jornalismo, e, desde 2005, é o diretor-geral da Band/RS. Diariamente, às 13h, comanda “Os Donos da Bola”, na Band TV. Escreve no Metro World News de Porto Alegre