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Colunistas 16/04/2015

Prisão fora da curva

carlos-lindenberg-colunistaA prisão do tesoureiro do PT João Vacari Neto, ontem, como desdobramento da Operação Lava Jato, criou uma situação complicada para o partido. As investigações preliminares indicam possibilidade de enriquecimento de origem inespecífica. Ainda que sua defesa possa rebater a acusação do Ministério Público, o mal estará feito – não se prende o tesoureiro de partido sem mais nem menos. Pior: já há outro ex-tesoureiro do PT preso, Delúbio Soares, do Mensalão. Daí a irritação e constrangimento no partido, que vai da acusação de que a legenda está sendo perseguida pelos adversários com prestígio no Poder Judiciário – leia-se juiz Sérgio Moro – à incredulidade do que vem acontecendo. A prisão de João Vacari Neto constrange o PT e expõe a presidente Dilma e o ex-presidente Lula à sanha dos adversários que começam a discutir a possibilidade do pedido de impeachment da presidente, embora o alvo seja o ex-presidente, virtual candidato do PT em 2018.

Por ironia, a prisão de João Vacari Neto ocorre no momento em que a presidente Dilma Rousseff começa a aparar arestas com o Congresso e com o PMDB. Ao dar ao vice-presidente Michel Temer a responsabilidade de fazer a articulação política do governo, a presidente começou a enquadrar o rebelde PMDB que ia a reboque do deputado Eduardo Cunha, presidente da Câmara, e do senador Renan Calheiros, presidente do Senado, ambos impondo a Dilma derrotas sucessivas nas duas casas do Congresso. Com a conhecida habilidade para mediar conflitos, Temer entrou em campo com poderes para nomear e exonerar, ouvida a Chefe Suprema, com o que desmontou duas CPIs em formação na Câmara, conseguiu a adesão dos partidos aliados para aprovar a reforma fiscal e pavimentou o caminho do ex-deputado Henrique Alves, não por acaso do PMDB, para o ministério do Turismo. Para Dilma, como se vê, a prisão de João Vacari Neto foi uma má notícia, ainda que se esperasse isso para a qualquer momento, desde que o tesoureiro do PT depôs na CPI da Petrobras e não disse o que dele se esperava – uma espécie de confissão diante das Câmeras da televisão. Agora, é aguardar.

 

Carlos Lindenberg é jornalista, colunista do Metro Jornal e comentarista da TV Band Minas. Escreve no Metro Belo Horizonte.