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Colunistas 16/04/2015

E a pátria corruptora

colunista  marcos-silvestreFaz sentido? Você continuaria comprando naquele mercadinho (completo e muito prático), bem perto da sua casa, quando ouviu dizer – de dois ou três vizinhos diferentes – que os caras, sempre que podem, tiram um pouco no troco dos idosos da região, que costumam pagar em dinheiro e têm dificuldade de conferir a volta? Você continuaria contratando os serviços de uma determinada faxineira (muito boa!) quando já notou que, algumas vezes, ela tomou dinheiro da sua carteira (mesmo que pouco)?

E isso aqui? Você continuaria abastecendo seu carro naquele posto da esquina que sofreu denúncia de bombas adulteradas, roubando um pouco na quantidade de combustível (apesar de o combustível em si ser original e até de boa qualidade)? Você continuaria trocando o óleo do seu carro naquela oficina que cobra o serviço completo mas não troca o filtro (quando eles avaliam que “não está sujo demais”)? Levaria sua moto numa oficina que cobra peça nova mas usa recondicionada (ainda que “de primeira”)?

Mas que perguntas! Lógico que não! Pouco ou muito, qualquer que seja o motivo, ninguém tem o direito de roubar ninguém! É uma questão de princípios! Então… por que cargas d’água você e eu deveríamos ter tolerância com a corrupção nos governos? Ou… não tem corrupção? É tudo invenção, “intriga da oposição”? Corrupção não é menos corrupção quando o dinheiro é público. Vamos deixar combinado: dinheiro público não é dinheiro “de ninguém”, dinheiro público é dinheiro “de todos nós”!

Coerência! Agora, para cobrar, tem de ter moral. Você por acaso jogaria papel – ou qualquer outro objeto – na rua (mesmo que faltem lixeiras em ordem na cidade)? “Caiu” da sua mão, qualquer que seja a explicação, virou lixo no chão! Você (com menos de 60 anos) estacionaria seu carro na vaga de idosos, logo na frente do supermercado, quando a vaga está livre e você está com uma pressa danada (e, afinal, são só “uns minutinhos”)? Você furaria uma fila (longa demais), se pudesse (se ninguém percebesse)?

E tem mais… Você daria caixinha (= pagaria propina) para liberar pontos da sua carteira de motorista (mesmo considerando radares excessivos, critérios rigorosíssimos de condução, e valores de multas astronômicos)? Você daria um dinheirinho a alguém, seja quem for, para lhe arranjar qualquer coisa de um jeito mais fácil (porém “ligeiramente” ilegal ou imoral)? Ai ai… a corrupção “deste nosso país”!

Economista com MBA em Finanças (USP), orientador de famílias e educador em empresas (Metodologia PROF® / UNICAMP), é comentarista econômico do Grupo Bandeirantes e fundador da SOBREDinheiro.  Diretor do site www.oplanodavirada.com.br e da EKNOWMIX Consultoria.