logo
Colunistas
Colunistas 09/04/2015

Dilma chama Temer

carlos-lindenberg-colunistaA indicação do vice-presidente Michel Temer como articulador político do governo, extinguindo o ministério que cuida dessa área, foi a mais ousada iniciativa da presidente Dilma Rousseff no embate com o PMDB dominado até aqui pelo deputado Eduardo Cunha, presidente da Câmara, e pelo senador Renan Calheiros, presidente do Senado. Dilma, na verdade, reagiu a mais uma retaliação da dupla, que vetou a ida do peemedebista gaúcho Eliseu Padilha, que seria deslocado do Ministério da Aviação Civil para o da Articulação Política. Cunha e Renan vetaram Padilha por duas razões. A primeira porque não foram consultados. A segunda porque a Articulação Política não tem verbas nem poder para nomear ou exonerar alguém, é uma peça de intermediação na relação do Executivo com o Congresso – até aqui ocupada pelo petista Pepe Vargas, incompatibilizado com a dupla. Diante do constrangimento do veto, Dilma não teve dúvida: passou para o vice Michel Temer, que, além de  vice, é o presidente nacional do PMDB, a função de fazer essa articulação, até porque essa tarefa vem sendo dificultada tanto por Eduardo Cunha, na Câmara, como por Renan Calheiros, no Senado.

Com a nomeação de Temer, vai se saber, finalmente, se o governo pode ou não contar com o PMDB. Até agora, não tem podido. O partido não tem dado apoio ao governo e menos ainda à presidente da República, que não tem boas relações com o presidente da Câmara, e, pelo contrário, tem votado sistematicamente matérias que contrariam os interesses do Executivo. Agora mesmo, por capricho de Eduardo Cunha, em nome de uma suposta independência dos poderes, a Câmara está votando o projeto, de autoria de Cunha, de nove anos atrás, que oficializa a terceirização da mão de obra no país, iniciativa considerada por juízes do trabalho e pelos trabalhadores de modo geral como nociva à relações capital/trabalho. Enfim, ainda que tardiamente, Dilma recorreu a Michel Temer, talvez como uma medida extrema. A conferir.

Carlos Lindenberg é colunista do jornal Metro e comentarista da TV Band Minas. Escreve neste espaço às quintas-feiras.