logo
Colunistas
Colunistas 08/04/2015

Preguiçosos

colunista-BHA análise sobre a seleção brasileira e, na mesma esteira, a respeito do nosso futebol como um todo, anda contaminada. Em meio a bipolaridades, ao determinismo, à ânsia e ao vício natural de cair em algo parecido com o Fla-Flu ideológico que reina no país em todos os segmentos, ficam de lado a profundidade e alguns pontos primordiais. Polos extremos. Preto no branco. Pouco do cinza que, usualmente, condiz mais com a verdade. Depois das vitórias diante de França – convincente – e Chile – jogo chatíssimo –, a nova “era Dunga” parece ter ganhado força. Oito jogos, oito triunfos. Como em terras tupiniquins a tendência ao simplório e à preguiça mental costuma reinar, questionar resultados fica assaz complicado para uma imprensa que, em geral, não foge a esta regra; é, em diversos sentidos, o espelho do seu povo. É mais confortável seguir a maré. As críticas ao novo treinador, logo, diminuíram – e quanto a isso, em si, nenhum problema; nosso ranzinza personagem é corriqueiramente alvo de um ódio exagerado.

Ao mesmo tempo, num movimento contrário, as reservas quanto aos rumos da equipe da CBF acabam resvalando nos clichês comumente levantados contra o treinador atual do escrete canarinho, passam pela péssima pré-disposição que muitos têm com relação a ele – boa parte sem conhecimento de causa, sem acompanhamento profundo do futebol, apenas aderindo a condutas, a discursos ouvidos por aí.

Somam-se a esta conjuntura dois fatores: a já ventilada mania de observar apenas resultados – sem a sensibilidade para apreender o contexto de sua obtenção – e a arrogância brasileira com relação ao esporte bretão, aquela que impede de ver que, muitas vezes, as derrotas acontecem pelo fato de os adversários terem jogadores melhores ou, no mínimo, com nível suficiente para não tornar o revés um absurdo, algo obrigatoriamente oriundo de algum erro crasso, algum fato emblemático (baladas de jogadores, “falta de compromisso”, e coisas na linha são muletas comuns para “justificar” quedas). Não precisa nem dizer que, depois de tanto apanhar, de desmistificações tão cruéis, a citada arrogância, naturalmente, diminuiu – não por qualquer mérito na linha da humildade e do senso de verdade, e sim pela força de um famoso 7 a 1.

Em todo esse panorama delineado, assim fica, em âmbito geral, a avaliação da seleção atual e do seu treinador: lado dos Dunguistas: “podem falar o que for, mas ele traz resultados; não joga bonito, mas funciona; é criticado porque não é midiático, não tem carisma, não puxa-saco da imprensa; porque cortou os privilégios da Rede Globo”; oposição: “tem pouco repertório, é mais do mesmo; pouco atualizado, comanda na base do ‘vamos lá’; treinador ultrapassado, quando chegar na hora ‘H’ não vai dar em nada; e, para piorar, mata a essência do nosso futebol; copia o pragmatismo do ‘antigo’ futebol europeu, enquanto os gringos, hoje, contemplam a verdadeira escola brasileira”.

Cadu Doné escreve no Metro World News de Belo Horizonte