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Colunistas 08/04/2015

A exagerada rivalidade Gre-Nal é um câncer

leonardo-meneghetti-colunistaO episódio Fabrício reanimou o exasperado debate Gre-Nal, ultrapassando os limites do razoável. Nesta aldeia onde o que mais importa é para que time o sujeito torce estamos agora rivalizando no quesito racismo. O que se escutou nestes últimos dias, as exigências feitas de que a punição sobre o Inter seja a mesma sofrida pelo Grêmio, fere a capacidade intelectual deste Estado. Aliás, de fato, vivemos num estado de guerra, isto sim!

Deixamos escapar o controle sobre uma saudável e honrosa rivalidade. Talvez tenha sido justamente ela o trampolim para o crescimento de nossos clubes. Mas viramos o fio. Viramos, desencapamos, ligamos na tomada e o prendemos ao nosso coração. E no fígado, também. E sabe-se lá onde mais. A incontrolável rivalidade Gre-Nal, que passou da flauta à violência de três décadas para cá, é um câncer. Afasta o público do futebol. Gera comportamentos inaceitáveis, quase medievais. Fere. Mata.

Não interessa mais se o sujeito é competente. Ou se tem caráter. O que interessa é se ele é gremista ou colorado. Como se o time do coração mostrasse algo significativo sobre alguém. Como se não houvesse bandido que torce para o seu time! E há. As pencas! Há marginais vestindo todas as camisas. Inter, Grêmio, Flamengo, Corinthians, São Paulo, Fluminense, Boca, River, Seleção Brasileira… E alguém aqui há de criticar este colunista porque começou a fila com o Inter!

Derrubamos as fronteiras do bom senso. Bastam trinta segundos de observação nas redes sociais. O facebook é um faroeste, já escrevi isso no próprio. E lá todos se sentem John Wayne da vida. Sacam e atiram para todos os lados, inescrupulosamente. Sem medir consequências. O sujeito nem enxerga o post direito, não tem saco de ler até o fim, mas dispara. É contra o time dele, portanto, justifica-se.

Não interessa o conceito que alguma opinião sustenta. Interessa mesmo é se é contra ou a favor o meu time. Banalizamos as ideias e os argumentos. Não valem nada. Eu não consigo gostar de uma ideia que seja contra o meu time. Se defender o azul eu curto, elogio e talvez compartilhe. Se for favorável ao vermelho eu destruo, critico, detono, agrido. O contrário é exatamente igual. Nos apequenamos. Estamos menos inteligentes. Perdemos nossa capacidade de discernimento. A paixão clubística é maior do que a razão.

Se o árbitro é competente não interessa. Ele vale pela cor do time. Se o jornalista é isento ou se tem ideias razoáveis sobre futebol pouco importa. É gremista ou colorado, querem saber acima de tudo. Pode até não ter caráter. Não ter isenção. Não ter credibilidade. Mas é do nosso time! Antes de torcer para a Seleção querem saber se o técnico é mais identificado com o Grêmio ou com o Inter. A Copa acontecerá onde mesmo? É isso que determina se vou secar ou se vou torcer.

Se o cara tem o carro vermelho então é torcedor do Inter. Se veste azul é gremista. E eu que gosto do laranja. Torço para a Holanda e visto o que mesmo? Feliz do sujeito que é torcedor do pentacolor Veranópolis.

Jornalista esportivo desde 1986, Leonardo Meneghetti foi repórter de rádio, TV e jornal e está no Grupo Bandeirantes desde 1994. Foi coordenador de esportes, diretor de jornalismo, e, desde 2005, é o diretor-geral da Band-RS. Diariamente comanda “Os Donos da Bola”, na Band TV.