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Colunistas 06/04/2015

Creche de segurança máxima

gustavo varella cabral colunistaNinguém duvida que indivíduos de 17, 16, até de 12 anos tenham noção de que matar, assaltar, traficar e outras condutas de menor potencial ofensivo sejam criminosas. Quase impossível encontrar hoje um adolescente em quem se reconheça a “inocência rural” da metade do século 20, quando entrou em vigor o atual Código Penal. E passou a ser lugar comum ouvir relatos de crianças, com imagem e voz distorcidas, narrando com tranquilidade as atrocidades que cometeram em troca de um tênis, um celular.

Como animais acuados que cada dia mais somos, nossa reação imediata, abrindo um ovo de Páscoa ou bebendo com os amigos, é de desejar que tais agressores sejam evaporados. Os mais cruéis, torturados. Os irrecuperáveis, fuzilados. Os que ainda achamos, em nossa magnanimidade, que podem ser convencidos de que o mundo é lindo e bom e que deveriam estar capinando uma roça ou lavando um carro, encarcerados por uns 20 anos, para “refletirem sobre a gravidade dos atos que praticaram”.

É claro que nossos filhos e seus amiguinhos estão livres disso, porque lei dura e implacável deve ser só para os que não podem fazer terapia ou viagem de intercâmbio para aprenderem a tomar juízo, os pestinhas! Nessas horas lembramos que na Alemanha e no Japão o pilantrinha mirim vai para o xilindró com 14 anos! Na Inglaterra, com 10. Nos EUA, até com sete! Aliás, lembramos que no Brasil a maioridade penal já foi alcançada aos nove anos, nos idos de Dom Pedro I. Países desenvolvidos. Tempos bons!

Claro que em lugares como na Etiópia ou a Tanzânia, onde já aos 7 anos o meliante vai em cana, a violência não foi contida por outras razões que não cabem nessa notável solução: a redução! Pasma-nos pensar como é que não despertamos para a óbvia conclusão: quanto mais cedo retirarmos das ruas esses embriões de facínoras, mais rapidamente nos livraríamos dos crimes que esse pessoal nasce predisposto a praticar. Dezesseis é um número legal para começar. Se não der certo, partimos para os 14.

Captura-se, um corretivo atrás da viatura, enjaula-se e pronto. Nosso sistema prisional está prontinho. Os mais empolgados apostam: a ciência descobrirá como identificar a índole criminosa no exame do pezinho… do berçário para uma unidade de internação! Ou, avançando na nossa civilidade, a pena de morte! Nada que uma mamadeira com chumbinho não resolva! É que não nos damos conta de que neste país, a cada dia que passa, a pena mais cruel imposta não é a pena de morte, mas a pena de vida…